Tenho o pecado abaixo da cintura,
um olhar que sei que te provoca —
essa maldade doce da tua boca
deixa minh'alma inteira sem postura.
Vens devagar, com a fome madura
de quem não pede, exige, arranca, toca;
tua mão desce, insiste, afunda, invoca
a felina que em mim ainda perdura.
Não há pudor entre nós — nem deve haver.
Quero-te inteiro de mim, quero lamber
a curva onde o teu gemido se acumula.
Que a noite inteira nos veja arder,
que o lençol confesse esse querer,
pois o desejo, consome, nos estimula.
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