e a pele se abre em brasa lenta,
cada poro te procura no escuro
como quem bebe sal na ponta dos dedos.
Deslizas por mim feito água e fogo,
derretendo as margens onde me escondo.
Teus ossos desenham mapa no meu corpo,
e eu me perco de propósito em cada curva.
O mundo some quando teu hálito encosta,
na dobra fina onde o silêncio geme.
Sou rio, sou chão, sou boca que implora
o peso leve do teu desejo.
Não há túmulo que segure esse voo,
nem areia que me tire das tuas mãos.
Quando teus lábios batem asa em mim,
até a noite aprende a arfar em nós.
❦
Cléia Fialho
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