E no altar onde o corpo se faz templo aberto,
cada silêncio é toque, cada toque é verso,
e a carne aprende apelar sem palavras.
Há um incenso invisível no ar da vontade,
subindo lento entre sombras e luz,
como se o próprio tempo ajoelhasse
diante do que pulsa sem freio.
E eu me perco nesse rito sem dogma,
onde não há culpa nem espera,
apenas a entrega ardendo em presença,
que não precisa de resposta.
E cada palavra que não digo se transforma em chama,
subindo lenta no altar da imaginação,
onde o sagrado e o desejo não se opõem,
apenas se reconhecem.
E ali permaneço — rendida ao invisível,
como quem encontra na entrega
a forma mais alta de sentido.
E o mundo se curva lento ao teu movimento,
como se o dia nascesse dentro do teu gesto,
e tudo ao redor perdesse o sentido comum.
Há um fogo sereno que guia meus passos,
um encanto que não pede explicação,
apenas me leva — inteira —
ao centro desse instante sem volta.

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