Teu corpo é canoa
em que desço invasor recebido
com licores.
Navego as águas quentes
da tua carne mansa,
onde a maré de teus desejos
me arrasta e me alcança.
Deslizo lento, sem pressa,
pela curva do teu ventre,
explorando cada mapa
desse teu calor ardente.
Tua boca é cálice aberto
que me afoga em doçura,
e a noite perde o rumo
nessa nossa branda loucura.
Entre suspiros e tremores,
sou a nau e sou o porto,
perdido e salvo no abismo
desse teu corpo, meu horto.





