Pisei o chão de muitos outonos,
com folhas secas a sussurrar lembranças.
Nos olhos, brilhos de sóis que já foram,
na pele, o mapa das esperas mansas.
Andei entre anjos e legiões.
Atravessei silêncios e alvoradas,
com passos firmes, sonhos nas mãos.
Carreguei esperanças enluaradas,
mesmo em dias vazios e vãos.
Andei entre anjos e legiões.
Fui rio em correnteza e calmaria,
fui vento brincando com o destino.
Toquei a dor, abracei a poesia,
plantei afetos no meu desatino.
Andei entre anjos e legiões.
Agora, caminho em passos mais lentos,
com alma repleta de cicatriz e luz.
E entre o cansaço e os sentimentos,
o nascer do dia me conduz.



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