Em sombras de desejos,
palavras obscenas,
no sussurro noturno,
revelam-se cenas.
Entre lençóis de seda,
peles que ardem,
o corpo responde ao que
as palavras aguardem.
Bocas se aproximam
sem pressa de chegar,
há promessas no ar
que aprendem a queimar.
O toque escreve versos
na margem da razão,
e cada arrepio é sílaba
latejando tentação.
O tempo se desfaz
no calor que nos prende,
gemidos são poemas
que a pele entende.
E no silêncio depois,
ainda em brasa e fervor,
fica o eco do desejo
recitando o amor.
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