TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia






sábado, 28 de fevereiro de 2026

UM DESEJO



No luar
um desejo a brilhar
No peito
um fogo a arder.

Coração
pulsa a sonhar
Na alma
o amor a crescer.

No luar
teu olhar a chamar
Na brisa
meu corpo a tremer.

Teu carinho
me faz delirar
No abraço
me deixo envolver.

Na varanda
o tempo a parar
No silêncio
o destino a tecer.

Teus beijos
me fazem voar
Na ternura
meu ser florescer.

E a noite
vem nos embalar
Em sonhos
difíceis de esquecer.

Pois o amor
quando vem despertar
Faz a vida
mais linda viver.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 2


Ato - 2 

Ele não a tocou de imediato.
E foi justamente isso que a fez arder.

A distância entre os dois tornou-se um espaço carregado, elétrico.

Ele a observava como quem contempla algo que já lhe pertence, mas que escolhe saborear com calma. Cada segundo prolongado era um comando silencioso, e ela sentia o corpo responder antes mesmo da mente.

— Tire as luvas — disse ele, num tom baixo, quase íntimo demais para ser ordem… e ainda assim impossível de ignorar.

Ela obedeceu.
O som da seda deslizando pelos dedos pareceu alto demais naquele recinto fechado. Quando suas mãos ficaram nuas, sentiu-se também despida de defesas invisíveis.

Ele aproximou-se apenas o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele, sem o conforto do contato. Inclinou-se, e sua respiração roçou-lhe o pescoço, lenta, consciente.

— A submissão — murmurou — começa quando você aceita ser vista por inteiro.

Ela estremeceu. Não por medo.

Mas por verdade.

Ele ergueu-lhe o queixo com um único dedo, obrigando-a a sustentar o olhar. Não havia pressa, nem brutalidade. Apenas domínio tranquilo, aquele que não precisa provar força.

— Aqui — continuou — você não pertence ao salão, nem às máscaras, nem aos olhares curiosos. Pertence à sensação de se permitir.

Ela sentiu o peso doce dessas palavras pousarem dentro de si. Não como imposição, mas como reconhecimento de algo que sempre esteve ali, à espera de permissão para florescer.

Quando ele finalmente a tocou, foi mínimo: a mão firme na cintura, guiando-a para mais perto. O gesto não buscava o corpo — buscava a rendição. E ela veio, natural, inevitável.

Encostou a testa no peito dele, em silêncio.
Esse pequeno gesto foi seu ajoelhar invisível.

Ao longe, a música recomeçou, mais lenta, mais grave. O baile seguia. A luxúria pulsava nos salões, nos olhares escondidos, nos corpos que se roçavam sob máscaras douradas.

Mas ali, naquele espaço fechado, a verdadeira sedução não estava no excesso — estava no controle.
No prazer contido.
Na escolha consciente de se entregar.

Ele inclinou-se novamente, agora junto ao ouvido dela:

— Esta noite, você aprende que a submissão não é fraqueza…
— …é confiança elevada ao desejo.

Ela fechou os olhos.
E sorriu.

Porque, enfim, compreendia:
não estava sendo tomada.
Estava sendo acolhida pelo próprio abismo que sempre quis explorar.

Ele a envolveu num abraço lento, profundo, onde o mundo parecia suspenso. Nenhum gesto a mais era necessário. O baile, as máscaras, o luxo — tudo se dissolvia naquele instante de rendição consciente.

Do lado de fora, a música cessou por um breve momento.
Como se o próprio palácio soubesse:
ali, a verdadeira luxúria não gritava — sussurrava.





  Cléia Fialho




Gratidão pelo convite.
É sempre um prazer!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 1


Ato - I

O convite chegou em papel espesso, perfumado de mistério. Nenhuma assinatura. Apenas a data, o local — um palácio antigo à beira de um lago negro como veludo — e uma única instrução escrita em caligrafia firme:

Venha mascarada. Confie em mim.

Ela sabia que era dele. Sempre soube.
Desde o instante em que aprendera a reconhecer, no próprio corpo, aquele arrepio manso que não pedia defesa, mas entrega.

Na noite marcada, o palácio ardia em luzes âmbar. Candelabros multiplicavam sombras nas paredes douradas, e a música — lenta, quase indecente — serpenteava entre colunas de mármore. Homens e mulheres ocultavam os rostos sob máscaras ricamente adornadas, como se ali todos pudessem ser quem realmente eram, livres do peso dos nomes.

Ela entrou vestida de seda escura, decote contido, mas perigoso. A máscara lhe cobria os olhos, e isso a tornava ainda mais vulnerável… e mais desejável.

Sentiu-o antes de vê-lo.

A presença dele não precisava de rosto. Era comando silencioso. Quando sua mão tocou a curva nua de suas costas, ela estremeceu — não por surpresa, mas por reconhecimento.

— Finalmente — murmurou ele, junto ao seu ouvido. A voz era baixa, segura, irrecusável.

Ele não perguntou se ela queria dançar. Apenas a conduziu.
E ela foi.

No centro do salão, giravam lentamente, como se o mundo tivesse diminuído o ritmo apenas para eles. Cada passo guiado por ele era um lembrete: ali, naquela noite, ela não precisava decidir. Bastava sentir. Bastava obedecer ao fluxo invisível que a puxava para dentro de si mesma.

A submissão não lhe era humilhação.
Era repouso.

Quando ele deslizou os dedos até seu pulso, apertando-o de leve, o gesto foi suficiente para que ela compreendesse: não era posse — era pacto. Um acordo silencioso entre desejo e confiança.

— Esta noite, você é minha — disse ele, não como ameaça, mas como promessa.

Ela baixou a cabeça. Um gesto mínimo. Definitivo.

O salão parecia respirar com eles. Olhares curiosos, invejosos, famintos. Mas nada os tocava. A luxúria ali não era vulgar — era densa, quase sagrada. Um excesso elegante, um pecado vestido de ouro.


Ele a levou para um salão menor, afastado, onde cortinas pesadas filtravam a luz e o silêncio era espesso. Retirou-lhe a máscara com delicadeza cerimoniosa, como quem desvela um segredo antigo.

— Confia? — perguntou.

Ela não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos.

E foi nesse gesto simples que se entregou inteira — não ao corpo dele, mas ao domínio que ele exercia com calma, respeito e desejo contido. Um domínio que não exigia, apenas chamava.

Lá fora, o baile continuava.
Mas para ela, o mundo já havia se rendido.

E naquela rendição suave, encontrou não a perda de si,
mas a mais intensa forma de liberdade e luxúria.


(continua...)





  Cléia Fialho