quarta-feira, 2 de setembro de 2015
terça-feira, 1 de setembro de 2015
AO PRAZER ME CONDUZ
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segunda-feira, 31 de agosto de 2015
PISCINA À MEIA NOITE
O hotel dormia.
Descia as escadas para a piscina descalça, com uma toalha ao ombro e o biquíni preto por baixo do roupão. Era meia-noite e vinte, o corredor deserto, a única luz vinha dos apliques baixos que desenhavam sombras compridas no chão de pedra.
A piscina era exterior — rectangular, longa, iluminada por baixo com aquele azul-turquesa que faz a água parecer líquida demais para ser verdade. Não havia ninguém. Só o cheiro a cloro, a jasmim, e o zumbido baixo dos filtros.
Deixei o roupão cair.
Estava a entrar pela escada quando o vi.
Estava no fundo da piscina — no lado profundo, encostado à parede, apenas a cabeça de fora. O cabelo escuro colado ao rosto, os olhos a brilharem à luz azul. Não sei quanto tempo levava ali. Não sei se me estava a ver descer as escadas ou se só me viu agora.
Ficámos os dois parados. A olhar-nos.
— *Desculpa* — disse ele, com um sorriso lento. — *Pensei que estava sozinho.*
— *Eu também.*
Não saí. Ele também não. Nadei devagar até ao meio da piscina, sentindo a água fria fechar-se à volta das minhas coxas, do meu ventre, dos meus seios por cima do biquíni. Ele deslizou pela parede e veio na minha direcção, também devagar, como um animal que não quer assustar a presa.
Parou a um braço de distância.
— *Como te chamas?*
— *Não interessa.*
Sorriu. Reconheceu a regra.
A água entre nós baloiçava em círculos preguiçosos. Ele estava tão perto que eu sentia o calor do corpo dele apesar da água fria. E o olhar dele — Deus, o olhar dele a descer-me pelo pescoço, pela clavícula molhada, pelo decote do biquíni onde a água me pingava.
Deu mais um passo. A mão dele encontrou-me a cintura debaixo de água.
Não me afastei.
A boca dele desceu sobre a minha — molhada, salgada de cloro — e beijou-me devagar, provando-me sem pressa nenhuma. As minhas mãos subiram-lhe pelo peito nu. Duro. Quente apesar da água.
Empurrou-me com gentileza até que as minhas costas encontraram a parede da piscina. O rebordo de pedra fria contra os meus ombros, a água a lamber-me o pescoço, e o corpo dele contra o meu à frente, quente e sólido.
As mãos dele subiram-me pelas costas. Encontraram o fecho do biquíni. Desapertaram-no com uma facilidade que me fez rir baixinho contra a boca dele. A parte de cima flutuou-nos entre os corpos e ele afastou-a com uma mão, atirou-a para a borda da piscina — e a boca dele desceu-me imediatamente sobre o seio molhado.
Gemi. O som ecoou no pátio deserto.
Ele chupou-me devagar, mordeu-me com cuidado, e a mão dele desceu-me pela barriga por baixo da água, encontrou o elástico do fio da parte de baixo, puxou-o para o lado. Os dedos encontraram-me.
— *AFF* — murmurou contra o meu peito. — *E ainda te queixas do frio da água.*
Ri baixinho, mas o riso morreu-me na garganta quando dois dedos dele deslizaram para dentro de mim. Debaixo de água, o toque era estranho, mais lento, mais amortecido — e ao mesmo tempo mais obsceno, porque ele mexia-se dentro de mim com uma calma cruel enquanto olhava para a minha cara.
— *Alguém pode aparecer* — sussurrei.
— *Que apareça.*
Puxou-me a parte de baixo do biquíni pelas pernas. Atirou-a para junto da parte de cima. Estava nua no meio da piscina de um hotel, iluminada por baixo pela luz azul-turquesa, e ele levantou-me pelas coxas contra a parede. As minhas pernas envolveram-lhe a cintura.
Baixou o calção sem sair de mim.
E entrou.
Fundo. Debaixo de água, a sensação era diferente — a água ajudava-nos a mover, tornava tudo mais leve e mais lento e infinitamente mais erótico. Eu segurava-me à borda da piscina atrás de mim, ele segurava-me as ancas, e movia-se dentro de mim num ritmo que fazia pequenas ondas espalharem-se à nossa volta.
Beijou-me para me calar os gemidos. A minha boca engoliu-lhe os dele. Sabia a cloro, a vinho, a homem.
Movia-se mais rápido. A água agitava-se. Uma das mãos dele soltou-me a anca e desceu entre os nossos corpos, encontrou-me outra vez, esfregou-me no ritmo exacto em que se enterrava em mim.
Foi demais.
Vim contra a boca dele, tremendo debaixo de água, apertando-me à volta dele em espasmos que a água amplificava. Ele gemeu contra os meus lábios e veio logo a seguir, empurrando-se fundo uma última vez, os dedos cravados na minha pele por baixo da água.
Ficámos ali. Encostados. A respirar. A luz azul a desenhar-nos ondulações no rosto.
Beijou-me a têmpora.
— *Que quarto?* — perguntou.
Sorri.
— *408.*
— *Vou lá ter em dez minutos.*
Saí primeiro. Deixei o biquíni onde estava. Subi enrolada na toalha, com a pele a arder debaixo do algodão.
Dez minutos depois, bateram-me à porta.
E não dormi.
domingo, 30 de agosto de 2015
SABOR DE TI
Beijando aquilo que tens de mais doce,
Os lábios se entregam, em suave toque,
És a tentação que a alma me oferece,
No gesto em que o meu corpo provoque.
Em teu sabor, meu ser encontra a calma,
Como néctar que o coração encanta,
E nesse beijo, tudo se faz em alma,
Em cada carícia, o amor se agiganta.
Beijo-te, e o tempo se desfaz em dança,
Em cada verso, a paixão se revela,
És o aroma que na boca descansa,
És luz que em minha noite se constela,
És o porto da minha doce esperança,
Sou tua no beijo, no verso, na aquarela.
sábado, 29 de agosto de 2015
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
O AMOR CHEGA SEM PEDIR LICENÇA
O amor chega sem pedir licença.
Toma conta dos meus dias,
atravessa meus silêncios,
acende lugares
que eu nem sabia existir.
Teus beijos repousam em mim
como quem conhece
o caminho da paz.
Quando estamos perto,
o mundo perde a importância.
Só existe o calor da tua presença,
o encontro dos nossos gestos,
a vontade de permanecer.
Há um fogo tranquilo
que nasce dos teus olhos
e desperta em mim
o desejo de viver cada instante.
Quero dividir contigo
os amanheceres,
as noites demoradas,
os sonhos que ainda não têm nome.
Carrego esse sentimento
como quem protege um horizonte.
Em ti,
meu coração encontra abrigo.
Meu corpo reconhece tua ausência
antes mesmo que ela aconteça,
e minha alma segue na direção da tua,
como se sempre soubesse
onde pertence.
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