TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quinta-feira, 3 de março de 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

VERSOS SUSSURRADOS



A cada toque, um tremor atravessa minha pele.
O calor entre nós não cessa; cresce, dobra, insiste.
Somos labaredas que se arrastam,
rodopiando sem mapa nem freio.

Queimamos lado a lado,
abraço que prende e liberta ao mesmo tempo.
Corpos e almas se dobram um no outro,
e a paixão desenha sua própria eternidade
num segundo que se alonga.

Teus carinhos escorrem pela madrugada —
versos sussurrados, tinta sobre pele.
No pulso desse gesto entregue,
meus desejos desabrocham,
abertos à luz que nos encontra.




  Cléia Fialho

terça-feira, 1 de março de 2016

A TRADIÇÃO É FOGO QUE ARDE



No silêncio das campinas, o suor escorre,
o cheiro da terra se mistura ao desejo que arde,
não há palavra, só o corpo que fala,
movimentos lentos, rugidos contidos,
dança sem música, só o som da respiração.

A gaita pode tocar longe,
mas aqui, o que pulsa é o coração nu,
convocando para o encontro,
onde pele encontra pele, sem promessas,
sem máscaras, apenas verdade crua e quente.

O vento carrega histórias,
também sussurra segredos de noites longas,
de encontros que incendiam a madrugada,
de corpos que se moldam, se entregam,
se descobrem e se perdem no tempo.

Aqui, a tradição é fogo,
que arde dentro, não se apaga,
é no calor desse fogo que nasce o desejo,
livre — selvagem — intenso — sem fim.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

OLHAR QUE GUARDA SEGREDOS



No sul aberto, ela surge — brisa quente.
Cabelos ao vento, pele que lembra tempo.
Sorriso que chama, olhar que guarda segredos.
No lombo do cavalo, ousadia: traça rotas de pele.

Seu movimento é dança, coragem e doçura.
Um sussurro antigo brota do toque,
cura da terra, fogo que não se apaga.
Gaúcha de sombra e chama, morada e desejo.

Viva e selvagem, estrela do pampa,
raiz que canta amor e liberdade.




  Cléia Fialho

domingo, 28 de fevereiro de 2016

ABRIGO SECRETO NA CALOR DA TUA PELE



No incêndio doce que mora em meu peito,
teu nome dança como chama antiga,
dessas que não se apagam com o tempo
nem se rendem ao frio das ausências.

Teu sorriso chega manso,
clareando minhas sombras,
feito amanhecer atravessando a janela
de uma alma cansada de silêncio.

Quando tuas mãos encontram as minhas,
o mundo desacelera.
Há um abrigo secreto no calor da tua pele,
um lugar onde minhas inquietações repousam
e os medos desaprendem a existir.

Teu olhar me atravessa devagar,
como quem conhece meus abismos
e, ainda assim, escolhe permanecer.
Em cada suspiro teu,
escuto promessas que o vento não leva,
carícias invisíveis tocando minha essência.

As noites tornam-se eternas ao teu lado.
A lua parece mais próxima,
as estrelas respiram mais forte,
e o céu inteiro se curva
diante da beleza simples
de dois corações caminhando juntos.

Te amar é florescer sem medida,
é descobrir universos escondidos
na delicadeza de um beijo,
na ternura quieta de um abraço,
na forma como tua presença
faz a vida inteira ganhar sentido.

E se o destino escrever nossos nomes
nas páginas invisíveis do infinito,
quero permanecer em ti
como perfume na memória da madrugada,
como luz suave que nunca abandona
o horizonte do amanhecer.





  Cléia Fialho

sábado, 27 de fevereiro de 2016