No silêncio das campinas, o suor escorre,
o cheiro da terra se mistura ao desejo que arde,
não há palavra, só o corpo que fala,
movimentos lentos, rugidos contidos,
A gaita pode tocar longe,
mas aqui, o que pulsa é o coração nu,
convocando para o encontro,
onde pele encontra pele, sem promessas,
sem máscaras, apenas verdade crua e quente.
O vento carrega histórias,
também sussurra segredos de noites longas,
de encontros que incendiam a madrugada,
de corpos que se moldam, se entregam,
se descobrem e se perdem no tempo.
Aqui, a tradição é fogo,
que arde dentro, não se apaga,
é no calor desse fogo que nasce o desejo,
livre — selvagem — intenso — sem fim.
❦
Cléia Fialho


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