TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 15 de julho de 2015

À SOMBRA DOS SONHOS




Desejo, na brisa que passa,  
um sussurro de amantes perdidos,  
caminhos onde o sol se esvazia,  
à sombra dos sonhos benditos,  
em um olhar que nunca se apaga,  
buscando a luz nos corações feridos.  

Nas noites de lua, em segredo,  
nossos passos dançam em rimas,  
teço promessas nas estrelas,  
um desejo que nunca se exprime,  
cuspindo em versos as lendas,  
guardo em mim miles de minas.  

E quando o dia desponta,  
sinto a vida se pintar,  
em cada raio um sopro,  
um desejo que vem e vai,  
como a onda que acaricia a areia,  
o eco suave do amar.  

Nos braços do tempo, eu clamo,  
o murmúrio das vozes que num dia,  
construíram castelos em sonhos,  
toda a dor que se esvazia,  
sobre a pele um fogo que inflama,  
e a esperança, eterna e vazia.  

Se assim os desejos perduram,  
os amores nas brisas eternas,  
as memórias nos risos guardados,  
sem nunca cessar esse intento,  
pois o desejo, como um rio,  
flui e transborda em pensamento.  

E assim canto a vida, tão breve,  
as paisagens onde o amor habita,  
o desejo, em pétalas, se eleva,  
na fragilidade da lira bendita,  
um fervor que nunca se apaga,  
que este misterio sempre se repita.




  Cléia Fialho

terça-feira, 14 de julho de 2015

SOMOS CARNE QUE SE DEVORA




O prazer é chama que nos consome,  
arde na pele, invade o íntimo,  
um canto secreto que se abre em vertigem.  

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ALFABETO DO DESEJO



Quero tua boca faminta, 
cavando o abismo dos meus segredos mais proibidos,
degustando a intimidade que pulsa apenas para te receber.

Deixa que este fogo nos devore sem clemência,
numa cadência de atrito e suor, 
um ritmo lento que incendeia a pele,
e nos mergulha na selvageria pura da carne.

Cada estremecer que me arranca o fôlego é um verso gravado em espasmos,
uma métrica de prazer que se escreve na tua posse.

Cada onda líquida que sobe, 
que inunda, que transborda,
é a nossa linguagem absoluta, 
o idioma profano e urgente do gozo,
que dispensa o verbo e se faz sentir 
em cada milímetro do nosso delírio.




  Cléia Fialho

domingo, 12 de julho de 2015

UM LABIRINTO DE ENCANTOS




No calor suave da tarde,  
um sussurro de desejos se ergue,  
entre sombras da luz e da pele,  
corações aceleram, 
dançam como chamas.

A brisa lê os segredos,  
tosse do amor na flor do instante.  
Cada toque é um convite,  
um poema roubado à existência.

E como o vinho,  
o olhar que se cruzam,  
embriagam a alma,  
a volúpia resplandece na brenha do ser.

Doce é o silêncio que segue,  
entre sussurros e risos,  
o tempo se dissolve,  
um labirinto de encantos.

Harmonias de corpos,  
a sinfonia da vida,  
cordas vibrantes em melodias,  
onde o desejo é o maestro do incerto.  

Ao cair da noite,  
as estrelas são testemunhas,  
de um amor que não se apaga,  
nem se esquece, 
em eternidade.




  Cléia Fialho

sábado, 11 de julho de 2015

TEU CORPO NA MINHA BOCA



O prazer é carne acesa,
é a nossa ode mais estreita aquela que cabe apenas
no vão entre o teu quadril e o meu grito.
Não se declama – geme-se,
não se escreve – escorre-se,
não se guarda – devora-se.

Para me sentires úmida,
me toques com a ponta dos dedos.
Morde-me, prende-me o olhar,
enrola a minha língua na tua até o ar faltar e o chão sumir.
Molha-te em mim como quem bebe de uma fruta que não seca,

Como quem afunda a cara na minha entreperna e lá fica,
até os teus lábios saberem escorrer ao teu tremor.
Entrega-te ao desejo como quem entrega a própria vida
 – ao ápice do gozo.
Quebra o ritmo, 
atropela a calma,
entra em mim com a fome de quem não come há dias
com o suor que te pinga do peito,
com os dedos que me abrem e me reconhecem às escuras.

E juntos, alcançaremos o êxtase – nós o faremos acontecer,
como quem provoca um incêndio.
Será o nosso corpo a arder
Será o teu corpo trêmulo – no meio do meu arfar.
Será a minha perna treme – contra a tua coxa molhada.

Será o instante em que o prazer nos deixa mudos,
mas os nossos quadris continuam – a falar a língua obscena
– a da carne que se oferece,
a do gemido que não pede licença,
 – a do leite que escorre
e não tem pressa de secar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de julho de 2015

MAPA DE DESEJOS CONTIDOS



Pele em brasa sob a lua mansa
Um sussurro teu que me acende a alma
O toque leve um arrepio que sobe
Olhares fundos onde se perdem os medos.

O corpo ancioso buscando um encontro
O ritmo lento da respiração a pulsar
Palavras não ditas que se fazem em carícia
A pele um mapa de desejos contidos.

O silêncio ecoa uma promessa guardada
No abraço a certeza de um sentir profundo
A noite se estende em volúpcias suaves.




  Cléia Fialho