segunda-feira, 15 de agosto de 2016
domingo, 14 de agosto de 2016
VÍCIO DO INVISÍVEL
Tua ausência me percorre —
como vento antigo que conhece minha pele
melhor que meus próprios dedos.
O ar tem gosto de lembrança.
Há perfumes que sussurram morte,
mas é tua ausência que mais fere.
As sombras que já foram tuas
caminham trêmulas,
sem corpo, sem voz —
apenas silêncio se arrastando nos cantos.
Dentro de mim,
galáxias giram como espasmos,
e o desejo, em colisão,
se despedaça em pedras invisíveis.
Quantos toques seriam precisos
para cobrir esse vácuo?
Quantas bocas desfariam o gosto da tua?
Borboletas estremecem no ventre,
em cãibras de espera.
Cada poro te invoca.
A memória, insubmissa,
carrega teus olhos como relíquias sagradas.
Um suor, frio como ausência,
desce pela espinha —
me empurra, sem piedade,
ao abismo de um mundo sem ti.
Tento me agarrar ao que resta,
mas tudo é liso, escuro,
e minhas mãos
não sabem mais onde encontrar calor.
Neste espaço sem alma,
só restou o eco:
sou viciada
em tudo o que você foi
—
e ainda arde
em mim.
sábado, 13 de agosto de 2016
EXTASIANTE SABOR
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
DOCE TENTAÇÃO — ETERNA LEMBRANÇA
Eis que a aurora me fere com sua luz sem piedade,
desfaz os véus da noite
e leva contigo os sonhos —
como bruma que o vento desfaz.
Ficas, porém, gravada em mim,
na pele da alma,
onde o desejo deixou cicatriz —
doce e pungente,
prazer que também doeu.
Amor que não se apaga.
Oculto entre silêncios,
te guardo, pecado sagrado,
memória de um instante encantado
que o tempo, caprichoso, não pôde manter.
Mesmo longe,
a tentação persiste,
arde tênue e viva em meu ser,
como chama que não se entrega ao fim.
E então, em palavras,
selos de eternidade,
escrevo-te.
Não para possuir-te,
mas para que nunca morras.
Doce tentação…
és agora verso,
glória suspensa no ar,
lembrança invencível
de um amor
que a vida negou,
mas a poesia consagrou.
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