Em meu silêncio eu consinto
que este sentir ganhe cor,
pois no segredo que pinto
há desejos, há calor.
Se teus olhos me dão o aceno distinto,
me entrego inteira, sem temor.
E se o mundo notar meu jeito extinto
de fingir desamor,
é porque esse amor, já não minto,
transborda do peito em flor —
vive em mim, infinito,
feito chama, feito ardor.
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