Desço até a tua carne, território vivo e latejante,
minha boca é o abismo onde a tua razão se perde.
Devoro-te com a voracidade de um verso proibido,
sem piedade, sem freios, sugando a pulsação da vida.
Bebo o teu calor, o néctar que transborda,
com o sorriso de quem te domina e te consome.
Logo, aceito o teu peso, o teu preenchimento absoluto,
fundo, latejante, habitando cada centímetro meu.
Meus fios soltos caem como véu sobre o teu peito,
enquanto te aperto com a força das minhas entranhas.
Sinto a tua marca, o teu gozo que agora me pertence,
estacionado aqui dentro,
nesta cama que se torna o nosso altar de perdição.
O mundo lá fora se apaga no breu,
fica apenas o rastro do que a gente fez,
o teu prazer cravado no que já foi meu,
e a fome que volta, uma, outra vez.
Somos o caos que a alma deseja,
a carne queimando enquanto a gente se beija.