TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 14 de setembro de 2024

O TOQUE É SUAVE



A cada curva, um segredo mora,  
Em cada sopro, a coragem se apoia.  
O aroma sobe, embriaga a alma,  
Um convite suave, que a noite acalma.

Na pele desliza como rio sereno,  
Revela jardins onde o tempo é pleno.  
Notas amadeiradas, toque de luar,  
Jasmim noturno vem para abraçar.

É confidência líquida, pele que fala,  
Sem palavras, a memória se instalha.  
Camada por camada, desabrocha o ser,  
Página antiga, pronta para se entregar.

Entre o crepúsculo e o amanhecer,  
Há uma flor que decide florescer.  
És tu, no espelho, que aprendeu a sorrir,  
Ao perfume que veio te redescobrir.

O toque é suave, mas marca a jornada,  
Cada gota é história, cada nota é alvorada.  
O pulso guarda universos pequenos,  
O peito respira silêncios tão plenos.

Lá fora o mundo perde sua urgência,  
Aqui, na essência, mora a permanência.  
Fecha os olhos, inala com tanta calma,  
E encontra no aroma a tua própria alma.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

A ESSÊNCIA FARROUPILHA NOS PAMPAS DO SUL




No pago, o céu reluzente,
De um setembro, a tradição,
Levantamos nossa frente,
Com orgulho no coração.
É a Semana Farroupilha,
Que o gaúcho vem honrar,
O pampa em fogo cintilha,
Revivendo o seu lutar.

Chimarrão ao pé da brasa,
Carreteiro no fogão,
Cada campo é nossa casa,
Berço forte da nação.
O lenço vermelho acena,
Lembrança da rebeldia,
De quem fez com honra plena
Nossa pátria em valentia.

Nas estâncias, a memória,
Desses bravos a pulsar,
Nosso orgulho é a história,
Que jamais vai se apagar.
Entre cavalo e campeiro,
Nos fandangos e tropeadas,
Segue vivo o verdadeiro,
Espírito das jornadas.

O Rio Grande é resistência,
No couro cru e na fé,
Nossa luta, nossa essência,
No braço firme e de pé.
Assim honramos o brio
De quem tanto se entregou,
Farroupilha é desafio,
Que o gaúcho sempre enfrentou.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

terça-feira, 10 de setembro de 2024

PEDE-ME TUDO



Pede-me a água  
que escorre quente entre as minhas coxas  
quando o desejo já rasga a pele por dentro.  

Pede-me o travo salgado  
da minha boca depois do beijo longo e sujo,  
o odor antigo do suor  
colado na curva do meu pescoço,  
no oco dos meus seios,  
no mato molhado que já lateja por ti.  

Pede-me a vertigem  
dos meus olhos que se fecham  
quando tu me olhas assim,  
com a certeza crua  
de quem já me fode por dentro  
só com o olhar.  

Pede-me a boca inchada,  
o rasto quente de saliva  
que desce pela minha garganta  
enquanto eu gemo o teu nome  
como uma cadela no cio.  

Pede-me que me dispas  
devagar,  
que me deites de bruços  
e enterres o rosto entre os meus seios,  
respirando fundo  
o meu cheiro de mulher  
como quem finalmente encontra ar  
depois de anos sem respirar.  

Pede-me que me percorras  
com a língua e com as mãos,  
que me invadas sem pressa,  
que me pressintas  
até eu tremer inteira,  
até o gozo escorrer pelas minhas pernas  
e eu te implorar mais fundo.  

Pede-me que eu te queira  
no meio da noite,  
sobre a língua,  
entre as pernas abertas,  
no fundo da garganta,  
engolindo tudo o que tu me deres.  

Porque tu és  
meu ciúme,  
meu perfil,  
minha fome,  
meu sossego,  
minha paz,  
minha aventura.  

Meu sabor,  
minha avidez,  
minha saciedade,  
minha noite,  
minha angústia,  
meu costume.  

Pede-me tudo.  
Eu já sou tua.  
Toda.  
Molhada.  
Pronta.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

O AMOR E A LUA



Na noite serena, o amor se revela,
Com a lua como testemunha e sentinela.
O coração bate forte, em melodia,
E o romance floresce na luz da lua fria.

Sob o manto estrelado, os olhos brilham,
Entrelaçados, os sonhos se destilam.
Cada beijo é um sussurro doce e leve,
E o amor, na lua, se entrelaça e deve.

A lua reflete o brilho dos sentimentos,
Ilumina os olhares e os momentos.
Em cada passo, uma promessa de eternidade,
No abraço lunar, encontramos a verdade.

Ao amanhecer, o amor não se apaga,
Na luz da lua, o coração se embriaga.
E na memória, ficará a noite encantada,
Onde o amor dançou sob a lua prateada.




  Cléia Fialho

domingo, 8 de setembro de 2024

EU ENCAIXO MEU CORPO NO TEU



Eu te desenho
no deslizar quente das minhas mãos,
e não é força, é feitiço,
é vontade que não cabe.

Ofegante,
tua pele me chama,
entregue,
sem pressa, sem medo,
me pedindo pra ficar.

Eu te trago pra mim num suspiro só
e fico ali, presa,
nó que não desata,
laço aceso que nos prende.

Eu encaixo meu corpo no teu,
osso no osso, fôlego no fôlego,
alimentando essa fome boa
de te cobrir toda,
de ser coberta toda por ti,

mulher que molda e é moldada,
que prende e quer ficar presa
nesse fogo que é só nosso.




  Cléia Fialho

sábado, 7 de setembro de 2024

ESCALAR-TE INTEIRO



Escalar-te lábio a lábio  
é a única subida que me completa.  

Começo na tua boca,  
onde o gosto já me desarma,  
desço pela curva do teu pescoço  
e encontro o lume breve  
que arde entre as tuas nádegas  
quando tu te arqueias sob as minhas mãos.  

Percorro o ventre,  
o peito largo que sobe e desce,  
o dorso quente  
onde os meus dedos se perdem.  

Enterro os olhos  
na pedra fresca dos teus,  
e entrego-me poro a poro  
ao furor da tua língua  
que me abre inteira.  

A minha mão esquece-se de ser mão  
e vira só desejo:  
desce até a festa dura,  
à fresta onde eu me abro  
à doce penetração  
das águas quentes que me enchem.  

Respiro como quem tropeça  
no escuro do prazer.  
Grito baixinho  
às portas da alegria  
e da solidão mais íntima.  

Porque é terrível  
e é glorioso  
subir assim às hastes da loucura,  
passar do fogo à neve  
e abandonar-me de vez  
nas ervas molhadas do teu corpo,  
onde eu me entrego  
e me deixo ser tomada  
até o fim.




  Cléia Fialho