As mãos dele encontraram a parte interna das coxas dela e afastaram-nas com uma lentidão que era quase uma oração. A luz do poste de rua entrava pela janela e pintava de prata a umidade que já brilhava entre as pernas dela.
Ele viu-a exposta — os grandes lábios entreabertos, a vulva reluzente de lubrificação, cada dobra da pele a brilhar como se o corpo dela já tivesse começado sem ele.
Ela prendeu a respiração. Os quadris empinaram-se num movimento involuntário, a coluna a arquear-se contra os lençóis amassados, oferecendo-se antes que qualquer palavra fosse dita.
Ele baixou a boca até à pele interna da coxa direita e soprou as palavras contra a carne quente e trémula.
— Bebo o teu néctar.
Os polegares dele deslizaram para dentro, abrindo-a devagar, expondo a vulva brilhante por inteiro. O hálito quente banhou o clitóris e ela estremeceu — um espasmo que lhe percorreu o corpo todo e lhe arrancou um som que ainda não era um gemido.
A boca dele pairou a centímetros da fenda, o hálito a misturar-se com a umidade que já escorria.
A língua dele subiu plana da entrada da vagina até ao clitóris, recolhendo tudo o que ela já tinha derramado. O gosto encheu-lhe a boca — salgado e denso e inteiramente dela.
Ela agarrou-lhe os cabelos com as duas mãos e empinou os quadris contra o rosto dele, a voz a falhar num gemido que era também uma súplica.
— Me delicio — murmurou ele com a boca cheia da carne inchada.
A língua traçou círculos firmes em volta do clitóris e ela gemeu alto, um som que lhe escapou do peito sem pedir licença. Os lábios dele sugaram o botão rijo enquanto dois dedos deslizavam para dentro, cobertos da lubrificação espessa que escorria.
O queixo dele ficou encharcado. O néctar desceu-lhe pela mandíbula e pingou nos lençóis já úmidos.
Ela arqueou as costas, os dedos a crisparem-se no tecido amarrotado, o corpo inteiro a tremer na beirada.
O grito dela rasgou o quarto escuro — um som que começou fundo no peito e explodiu contra as paredes. Os quadris travaram no ar, suspensos, e o corpo inteiro se arqueou como se uma corrente elétrica a atravessasse. Ele sentiu o primeiro espasmo antes de o ouvir — a vagina pulsou contra a língua e um jorro quente inundou-lhe a boca.
Ele empurrou a língua o mais fundo que conseguiu, estocando a entrada em movimentos rápidos e duros. Os dedos cravaram-se nas nádegas dela, puxando o sexo contra o rosto com força implacável. O nariz esfregava o clitóris a cada investida, e ela gemia — sons partidos, sem palavras, só o corpo a falar.
Os fluidos jorraram outra vez. Quentes, abundantes, enchendo-lhe a boca e escorrendo pelo queixo. As paredes da vagina apertaram-lhe a língua em pulsos rítmicos, e ele gemeu contra a carne inchada, um som grave e abafado. — Me lambuzo — a voz saiu trêmula, lambuzada, os lábios colados à vulva que ainda pulsava.
Ela veio em espasmos incontroláveis, os quadris a sacudir, as coxas a tremerem contra as orelhas dele. Outro jorro, mais abundante, e ele bebeu. Engoliu o néctar quente com gemidos de devoção, a garganta a trabalhar, o corpo dele próprio a tremer. O líquido escorria-lhe pelo pescoço, empapava os lençóis, mas ele não parava — a língua ainda estocava, ainda recolhia cada gota.
O último espasmo foi um soluço. Ela desabou nos lençóis amassados, o peito a arfar, e ele soltou um gemido grave contra a vulva, o corpo a tremer de um prazer que não era o seu — era só fome saciada. Engoliu o último gole e ergueu o rosto encharcado. Olhou nos olhos dela e lambeu os lábios cobertos de seus fluidos.
Os dedos dela agarraram os cabelos dele, puxando-o para cima com uma força que a exaustão não apagara. Ele subiu, o corpo magro a tremer, o rosto ainda a brilhar. Ela não esperou. Puxou-lhe a nuca e colou a boca à dele.
A língua dela passou pelo queixo encharcado, recolhendo os últimos resquícios de seus próprios fluidos. Gemeu contra os lábios dele ao provar-se — salgada, densa, quente. O beijo foi lento, as línguas a enrolarem-se, ela a lamber cada canto da boca dele como se quisesse decorar o sabor de si mesma misturado ao dele.
— Meu Deus — murmurou ela, a voz rouca, os lábios ainda colados aos dele. — Eu tô toda na tua boca.
Ele sorriu, exausto, e deixou a cabeça cair no peito dela. O coração batia aos pulos contra a orelha dele — tum-tum-tum — um tambor descontrolado que aos poucos abrandava. O suor dos dois misturava-se, os corpos colados, os lençóis úmidos embaixo deles. Ele sentiu os dedos dela a percorrerem-lhe as costas, leves, trêmulos ainda.
— Você me fez desmoronar — sussurrou ela contra o topo da cabeça dele. A voz falhou na última sílaba. — Completamente.
Ele não respondeu com palavras. Só virou o rosto e beijou o esterno dela, os lábios ainda pegajosos. Ela segurou-lhe o rosto lambuzado contra o peito, os dedos a afundarem-se nos cabelos molhados de suor, e suspirou. O ar saiu longo, trêmulo, um abandono final. Os corpos ficaram assim — grudados pelo suor e pelo néctar, o quarto escuro embalando-os no silêncio da madrugada.
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Cléia Fialho

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