Cada mordida um mapa, cada toque um grito abafado
na minha boca que te engole, nos teus dedos que me abrem.
Não há mundo diferente senão esse quarto escuro e úmido
onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino
pela curva das minhas coxas que se afastam sem vergonha.
Onde o tempo desacelera e o suor escreve o destino,
eu escrevo com a língua o caminho que leva à tua cintura,
e tu escreves com o membro que me encontra,
que me invade,
que faz do meu corpo o único livro que queres ler.
Nossas línguas dançam e tateiam o limite da lucidez,
mas a lucidez já foi embora.
Perdendo a forma, encontrando a fome,
eu sou só boca, só sexo, só abertura.
Tu és só empurrão, só embate, só suor.
A noite é longa e o pecado é feito para ser repetido,
então repete,
me fode de novo,
me deixa sem ar outra vez.
Até que a carne não saiba mais
onde ela termina e onde eu começo,
até que eu não seja mais eu,
até que eu seja só o espasmo,
só o nome arrancado da tua boca,
só o nós que derrete no lençol.
❦
Cléia Fialho

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