A noite nos cobre,
o vento acaricia minha pele,
mas é tua língua que me devora.
te recebo sem pudor,
meus gritos se misturam ao silêncio da rua,
pecado exposto, prazer sem fronteiras.
O risco nos excita,
a varanda é altar,
nossos corpos, oferenda.
Cada gemido é confissão,
cada estocada é blasfêmia,
cada gozo é absolvição.
E quando explodimos juntos,
a cidade dorme,
mas nós queimamos,
selvagens, insanos,
devorados pelo próprio desejo.
❦
Cléia Fialho

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