Daqui onde a boca ainda queima
e o verso desce como fruta madura,
teu tronco é curva, chama, madeira,
e eu sou a sede que não se apura.
Desço por ti como rio em cheia,
molho os lábios no teu beijo,
cada sílaba é uma veia
que pulsa e arde — e ninguém doma.
Não peço calma, peço cais,
não peço luz, peço o escuro,
que o tesão, quando é mais, se desfaz
em gozo e verso — duro, duro.
E bebo, sim, até o osso,
até o fim do teu espanto,
pois todo o corpo é um poema grosso
que eu recito em gozo e canto.

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