TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 11 de setembro de 2020

MORDIDA NO VERSO



Cada golpe de quadril — um corte aberto,  
cada curva minha — sílaba que range,  
no teu urro gutural eu escrevo a contrapelo  
o poema que tua pele desfia em carne viva.  

Te preencho com jorro grosso e leitoso,  
marco teu útero com punho de estancar rios,  
e restas — fera — no colchão que sangra versos,  
enquanto o suor nos cola como resina quente.  

Teus dedos arranham minhas costas — lavra,  
teus dentes mordem meu nome — brasa,  
e eu teimo em semear gemidos que viram raiz,  
nessa terra úmida onde o gozo é lavoura.  

Não há rima que dome essa lavagem de corpos,  
nem métrica que caiba no vão das tuas coxas —  
somos dois animais escrevendo com os ossos  
a única verdade que o pudor não ousa:  
o amor é um espasmo que a língua não traduz.




  Cléia Fialho

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