Cada golpe de quadril — um corte aberto,
cada curva minha — sílaba que range,
no teu urro gutural eu escrevo a contrapelo
o poema que tua pele desfia em carne viva.
Te preencho com jorro grosso e leitoso,
marco teu útero com punho de estancar rios,
e restas — fera — no colchão que sangra versos,
enquanto o suor nos cola como resina quente.
Teus dedos arranham minhas costas — lavra,
teus dentes mordem meu nome — brasa,
e eu teimo em semear gemidos que viram raiz,
nessa terra úmida onde o gozo é lavoura.
Não há rima que dome essa lavagem de corpos,
nem métrica que caiba no vão das tuas coxas —
somos dois animais escrevendo com os ossos
a única verdade que o pudor não ousa:
o amor é um espasmo que a língua não traduz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
❦ OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
❦ É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
❦ COMENTE! EU SUPER AMO!
❦ VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
💋 DA 🐾