Inclino a face sobre o teu caule quente,
e rasgo o fruto com os dentes como um animal.
Desço devorando cada curva, cada fonte,
e o suor escorre onde a boca faz sinal.
Tu és tronco, és fogo, és veia aberta,
e eu lambo a seiva que escorre sem dó.
Não há alívio na entrega — há oferta,
e o meu sorriso molhado é o teu troféu.
A garganta engole o que a língua provoca,
e os dedos apertam o que os lábios buscam.
Cada movimento meu é uma roca
que fia o desejo até que os corpos se ofuscam.
Beber-te é perder a sede e a razão,
é sentir o sal onde a pele arde mais.
Eu não te provo — eu sou a devoração,
e o teu gosto é o mapa que me faz imortal.

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