TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia




sexta-feira, 2 de julho de 2021

CORPO — ÍMPETO



Desço a boca pela tua manhã de pele,
rasgo o silêncio com língua de fome.
Te engulo em pedaços cálidos, urgente,
chego ao limite — sem trégua, sem desculpa.
Sorvo teu sucro, guardo-o entre os dentes,
um sorriso miúdo que queima por dentro.

Sigo, avassaladora, pelos teus mapas molhados,
cada curva uma promessa de incêndio.
Minhas costas arqueiam, resposta bestial,
mãos que prendem, dedos que descobrem ossos.
O ar corta como navalha; teu nome se rasga,
um gemido largo, sem pauta, sem freio.

Ralho a calma, sou animal que traduz desejo,
rasgo as horas até só restar pele e pulsação.
Beijos como rajadas, mordidas de vento grosso,
ruído primitivo — prazer cravado na carne.
Teu sal cola à minha língua, revela segredos,
e eu te consumo com a paciência de quem devora mundos.

Quando sucumbes, o impacto é queda e voo,
um tremor que me atravessa e me planta inteira.
Ficamos nus de silêncio, suor e raccordos respiratórios,
um rastro de fome saciado e outro recomeçando.
Fecho os olhos, ainda provando cada guerra breve,
sorrio pequeno — e já planejo o próximo incêndio.




  Cléia Fialho

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