O Tom da Pele
- Você não tem ideia do que faz comigo... - ele murmurou.
A voz dele veio como um sopro rascante contra a curva do meu pescoço.
Não era uma voz normal; era um sussurro grave, vindo do fundo do peito, carregado de uma intimidade tão crua que fez um arrepio violento percorrer minha espinha, da nuca até a ponta dos pés.
- Tenho sim... - respondi na mesma intensidade, num fio de voz que mal ultrapassava a distância entre os nossos lábios. -
Porque eu sinto exatamente a mesma coisa.
O conflito não era uma dúvida sobre o que sentíamos, mas sim a urgência avassaladora de um desejo que nos consumia vivos.
Para aquele tesão denso, acumulado, que torna qualquer espaço pequeno demais e qualquer espera uma tortura deliciosa.
Queríamos tudo e quer tínhamos agora, mas havia uma arte sutil na lentidão deliberada com que nos tocávamos.
A ponta dos dedos dele começou a traçar um caminho lento pela minha costela.
Cada toque deixava um rastro de fogo.
Eu sentia meu coração bater forte contra o peito dele quando ele se aproximou mais, colando nossos corpos sob o lençol.
O calor da pele dele contra a minha era quase sufocante de tão bom.
- Sinta como meu coração está acelerado... - sussurrou ele, guiando minha mão até o lado esquerdo do seu tórax.
O pulso dele marcava um ritmo frenético, um descompasso perfeito que ecoava o meu próprio ritmo. -
É tudo seu. Sempre foi.
Continua...

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