TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





domingo, 25 de dezembro de 2022

SUSSURROS NA PENUMBRA - II




O Tom da Pele

 -  Você não tem ideia do que faz comigo...  -  ele murmurou.

A voz dele veio como um sopro rascante contra a curva do meu pescoço. 
Não era uma voz normal; era um sussurro grave, vindo do fundo do peito, carregado de uma intimidade tão crua que fez um arrepio violento percorrer minha espinha, da nuca até a ponta dos pés.

 -  Tenho sim...  -  respondi na mesma intensidade, num fio de voz que mal ultrapassava a distância entre os nossos lábios.  -  
Porque eu sinto exatamente a mesma coisa.

O conflito não era uma dúvida sobre o que sentíamos, mas sim a urgência avassaladora de um desejo que nos consumia vivos. 
Para aquele tesão denso, acumulado, que torna qualquer espaço pequeno demais e qualquer espera uma tortura deliciosa. 

Queríamos tudo e quer tínhamos agora, mas havia uma arte sutil na lentidão deliberada com que nos tocávamos. 

A ponta dos dedos dele começou a traçar um caminho lento pela minha costela. 

Cada toque deixava um rastro de fogo. 

Eu sentia meu coração bater forte contra o peito dele quando ele se aproximou mais, colando nossos corpos sob o lençol. 

O calor da pele dele contra a minha era quase sufocante de tão bom. 

 -  Sinta como meu coração está acelerado...  -  sussurrou ele, guiando minha mão até o lado esquerdo do seu tórax. 

O pulso dele marcava um ritmo frenético, um descompasso perfeito que ecoava o meu próprio ritmo.  -  
É tudo seu. Sempre foi.

Continua...




  Cléia Fialho

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