Quando a fome de ti me foca, você nem imagina,
mas vou escancarar o que a mente rosna em segredo
enquanto a pele clama pelo teu rastro.
Teu toque não se enrola, ele me acorrenta, paralisa.
Sua língua bruta, faminta, me degusta como caça,
me prova, me lambe a alma, feroz.
Esse teu mergulho violento dentro de mim,
que me arrebenta, me desmancha inteira,
me faz virar pó na tua profundidade.
Me aperta contra ti até sufocar,
não pra espantar o frio,
mas pra incendiar o mundo com o nosso calor.
Teu riso de canto de boca
destranca meus desejos vorazes, proibidos.
No meio do meu grito rasgado,
selvagem, você me toma,
me possui com a fúria de um bicho no cio.
Tatuas promessas de saliva e dente na minha pele,
marcas de posse.
Devoro, mastigo, engulo cada milésimo
desse caos que você cria.
Não quero saber do final desse pecado,
dessa luxúria cega.
Eu sei, eu sinto: esse pacto visceral
do teu corpo esmagando o meu
é a única salvação que eu quero agora,
me fazendo levitar em carne viva.
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