Ardente e molhada — não me entrego,
explodo contra teu peito — rio sem dique,
chama que não pede passagem,
só invade e queima.
A dança é colisão de corpos,
quadril que estala,
unha que rasga o dorso,
boca sugando o sal do meu pescoço.
A paixão não envolve
— arranca — morde,
atira nas curvas do desejo como feras,
onde o profundo é abismo úmido ,
gruta que pulsa — aperta — chama e engole.
Teus dedos descem — traçam incêndios na espinha,
param no vale onde o suor acumula,
gemido vira rugido — ritmo ágil acelera.
Sou carne aberta — ventre que treme,
cavalgada no dorso do teu corpo,
hálito quente misturado ao cio.
Quadris se embalam como ondas de naufrágio,
prazer que não vem suave — golpes,
arrancos — espasmos que cegam.
Perco-me em ti — acho-me em ti,
dois animais molhados no centro do fogo.
Nada mais existe — só este instante selvagem,
a pele se funde — a alma lateja.
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