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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

CANTO SECRETO DO CORAÇÃO



Sou tua, sem margem ou reserva,
entregue no corpo, na alma e no sentir.
Cada gesto meu te procura e te alcança,
como se o destino soubesse insistir.

Meu corpo te reconhece sem precisar de fala,
linguagem que nasce no toque e no olhar.
Entre nós se estabelece um pacto silencioso,
feito de entrega que não precisa explicar.

Carrego segredos que já não me pertencem,
todos revelados na tua presença total.
Fui me desnudando em verdades profundas,
até não restar mais defesa ou sinal.

Guarda-me em ti como imagem viva,
num canto secreto do teu coração.
Que teu afeto me envolva e me sustente,
como abrigo, repouso e redenção.







Cléia Fialho

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

DOCE DELÍRIO IRREAL



Sim… pode dizer, sem medo,
deixa a voz correr solta em mim.
Fala do desejo que te atravessa,
do fogo discreto que te traz assim.

Sussurra lento no meu ouvido,
como brisa quente em espiral,
palavras que vibram no corpo inteiro,
um doce delírio quase irreal.

Diz que me quer em tempo antigo,
como se o destino já soubesse nós.
Que entre outras vidas já nos perdemos,
e agora voltamos na mesma voz.

E que esse sentir não fere nem quebra,
só cuida, envolve, faz proteger,
um laço sereno de duas presenças
que aprendem juntas a se pertencer.

Fala também do teu mais fundo desejo,
do riso final que queres guardar,
do que te chama e do que te assusta
no mesmo instante de se entregar.

E deixa o coração sem limites ou freios,
em liberdade pra simplesmente ser…
porque no encontro dessas emoções
tudo é permitido quando é prazer.







Cléia Fialho

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

DESEJO INSISTENTE



Eu me perco no som da tua voz,
na forma única que tens de me alcançar.
No teu jeito de amar, meio desfeito,
virando tudo do avesso sem avisar.

E há coisas em ti que eu nem sei dizer,
só sinto — e deixo arder sem explicar.

Ser feliz é esse desejo insistente,
esse impulso que não sabe esperar.
E num instante qualquer, quase indecente,
o mundo parece pronto pra girar.
Roupas se perdem na pressa do momento,
e um arrepio insiste em me tomar.

Depois de alguns goles a mais na noite,
tudo vira convite pra se entregar.
O juízo escapa pela borda do copo,
e eu já não sei bem onde vou parar.
Se eu me perco demais nesse caminho,
não prometo voltar no mesmo lugar.

Não quero ser só passagem na tua história,
nem lembrança que insiste em machucar.
Quero ser o instante que fica na memória,
sem peso, sem medo de se apagar.
Mas há ciúme em certas sobras de perfume,
quando a saudade resolve ficar.

Vou ficar mais um pouco nesse teu universo,
decorando cada curva do teu olhar.
E essa aventura viva, de pele e de risco,
deixa marcas que o tempo não vai apagar.
E em algum lugar entre o toque e o abismo,
a gente aprende até a levitar.

Tu tens algo que parece impossível,
um quase céu difícil de explicar.
Um corpo que desenha o inatingível,
como se fosse feito pra provocar.
E tua boca — ah, tua boca —
é o verso mais bonito que eu pude tocar.







Cléia Fialho

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

sábado, 1 de agosto de 2026

SELVAGEM E SERENO




Sou vento suave,
que te envolve e desvia,
nas margens do abismo,
onde a dor se alivia.

Em teus braços vejo mares,
seus ecos de um sol que se esconde,
onde cada curva, cada linha,
é a dança do desejo,
e o tempo, que foge, responde.

Teu corpo, selvagem e sereno,
é chama que arde na madrugada,
em teus olhos, as estrelas se perdem,
navegando na perdição da estrada.

Quando toco tua pele,
o universo se curva,
pois somos a tempestade,
o suspiro que não se escuta,
mas se sente,
tão profundo,
que o silêncio se explode
em um mar sem fim.







Cléia Fialho

quinta-feira, 30 de julho de 2026

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026