TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 7 de fevereiro de 2015

PRAIA DESERTA



A areia quente sob meu corpo,
o mar como testemunha,
teu suor se mistura ao sal,
meu gosto se mistura ao vento.

Teu pau me invade como maré,
vai e vem profundo,
me arranca suspiros,
me arranca gritos.

O horizonte desaparece,
só existe o ritmo selvagem,
a dança molhada dos nossos corpos.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

ENCONTRO PROIBIDO



Porta fechada, segredo guardado,
teu olhar me prende,
minha boca te chama.

Me tomas sem piedade,
me consomes sem demora,
meu corpo se abre inteiro,
minha alma se entrega sem medo.

Cada estocada é pecado,
cada gemido é penitência,
cada gozo é absolvição.

E quando explodimos juntos,
não há mundo além de nós,
apenas fogo, apenas loucura,
apenas nós dois,
devorados pela própria luxúria.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A CHAVE ENTRE OS DEDOS



A vela tremia sobre a mesinha de cabeceira, a única luz no quarto escuro. Ela estava parada junto à janela, os braços cruzados sobre o peito, os olhos fixos na chama que dançava. A chuva batia no vidro, grossa e insistente, e o som preenchia o silêncio entre eles.

Ele se aproximou devagar, os passos abafados pelo tapete. Ela mordeu o lábio inferior, sentindo o latejar da carne entre os dentes. Os dedos calejados dele tocaram-lhe o queixo — ásperos, quentes, firmes. Ele forçou-a a levantar o rosto. Os olhos escuros dele desceram para a boca dela, fixos no lábio vermelho e inchado.

A chama da vela tremeu quando ele se inclinou. O hálito roçou-lhe a orelha.

— Deixa cair.

A mão dele deslizou para a nuca dela, os dedos enroscando-se nos cabelos escuros.

A mão na nuca apertou e Ele puxou-a para a boca. O beijo veio com força, a língua dele empurrando entre os lábios dela, invadindo, quente e molhada. Ela gemeu contra a invasão, as mãos subindo para os ombros largos, agarrando o tecido da camisa. A língua dele recuou e avançou de novo, lambendo o céu da boca, enroscando-se na língua dela. A vela tremeluziu na periferia da visão.

Ele puxou-lhe a blusa pela cabeça. O sutiã seguiu-se, os dedos calejados desfazendo o fecho com um gesto seco. O linho frio dos lençóis recebeu-lhe as costas quando Ele a empurrou para a cama. A mão direita subiu-lhe pelo ventre, fechou-se sobre o seio nu. O polegar passou pelo mamilo — uma vez, duas — e o bico endureceu sob a pressão áspera.

A boca dele desceu pelo pescoço enquanto os dedos deslizavam para a cintura da calça, puxando o tecido pelas coxas. A calcinha ficou, fina e já manchada de umidade. Ele tocou-a por cima do algodão molhado, o contorno da vulva inchada sob a ponta dos dedos. Ela mordeu o lábio até doer.

Ele afastou a calcinha para o lado. Dois dedos médios deslizaram pela fenda encharcada e empurraram para dentro. Os dedos de Ele entraram fundo e Ela arqueou as costas, um gemido quebrando na garganta.

Ele puxou a própria calça para baixo. O pênis saltou, duro, a glande roxa e brilhante. Ela olhou — as pupilas dilatadas, a boca entreaberta. Ele não esperou. Posicionou a ponta na entrada encharcada e empurrou com uma estocada seca até a base. Ela gritou. As paredes da vagina apertaram o comprimento inteiro, um espasmo quente que arrancou um gemido grave da garganta dele. Ele recuou os quadris e bateu de novo, mais fundo, o som de pele molhada ecoando no quarto escuro. Os testículos bateram contra a vulva inchada. A chuva martelava a janela, o ritmo externo ecoando cada investida. Ela cravou as unhas nas costas largas, arranhando a pele até ficar vermelha. As pernas se enrolaram na cintura dele, os calcanhares pressionando as nádegas duras. 

Ele bombeava rápido, brutal, os quadris colidindo contra as coxas abertas. Os seios dela balançavam com cada impacto, os mamilos duros roçando o peito cabeludo. Ele enfiou a mão nos cabelos escuros e puxou para trás, expondo a garganta. A boca desceu pelo pescoço, a língua lambendo o sal da pele enquanto o pênis fodia mais fundo. Líquido vaginal escorria pela coxa dela, lubrificando cada estocada, brilhando na luz trêmula da vela. Ela implorou — palavras quebradas, a voz falhando. Ele gemeu contra a orelha dela, os maxilares contraídos. 

O ritmo acelerou até a fricção os fazer gritar juntos. A vagina contraiu em ondas, apertando o pênis, e Ele pulsou dentro dela. O sêmen quente jorrou, enchendo a fenda, escorrendo ao redor da carne ainda enterrada. O corpo dela tremeu em orgasmo, as unhas deixando marcas fundas. Os corpos desabaram juntos, o sêmen escorrendo nos lençóis enquanto a vela se apagava.

A respiração dele ainda vinha pesada, mas já mais lenta, o peito subindo e descendo sob a cabeça dela. Ela sentia o coração desacelerar contra a orelha, o tambor interno passando de galope para um ritmo estável. O suor esfriava na pele de ambos, misturando-se ao cheiro de sexo e cera queimada que pairava no quarto escuro.

Lá fora, a chuva diminuía. O que antes era martelada furiosa na janela agora era um tamborilar espaçado, gotas preguiçosas escorrendo pelo vidro. O silêncio crescia entre uma gota e outra, preenchendo o quarto com uma quietude nova.

Ele acariciou os cabelos desfeitos dela. Os dedos calejados deslizavam lentos, desembaraçando os fios escuros com uma paciência que não existia minutos atrás. O toque era leve, quase uma bênção. As pontas dos dedos traçavam círculos no couro cabeludo, desciam pela nuca, subiam outra vez. Ela não se mexia. Deixava.

Os olhos dela se fecharam. A mandíbula, que estivera travada a noite inteira, finalmente cedeu. Os ombros desabaram contra o colchão. O último resquício de tensão escapou num suspiro longo, o ar saindo dos pulmões como se ela estivesse expulsando algo mais do que ar.

A coxa dela ainda repousava sobre a dele, o sêmen já frio entre as pernas, os lençóis úmidos amassados sob os corpos. Mas nada disso importava agora. O que importava era o polegar dele desenhando uma linha na testa dela, descendo pela têmpora, contornando a orelha.

Ela abriu os olhos devagar. No escuro, mal distinguia o rosto dele. Mas sentia. Os dedos dela se entrelaçaram aos dele, as palmas se encontrando no peito ainda úmido de suor. Apertaram-se. Ficaram assim.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

FOGO QUE NOS DEVORA



Aqui, agora, só existe o calor dos nossos corpos,
minha pele pede tua pele,
meus lábios procuram tua boca,
minha fome se abre inteira para ti.

Teus dedos me exploram,
trilhando caminhos secretos,
tua língua me suga, me lambe,
me arranca gemidos que não controlo.

Ondas me engolem,
emoções me afogam,
o prazer é tão brutal
que sinto perder o chão.
Meu corpo treme,
lágrimas inesperadas escorrem,
não de dor, mas de excesso,
de um gozo tão avassalador
que me faz chorar.

Peço que pares,
tu obedeces, surpreso,
mas meu corpo ainda clama por ti,
ainda te deseja em mim,
ainda quer tua invasão.

Descubro que às vezes o prazer
é tão profundo, tão selvagem,
que só as lágrimas aliviam.
Mas quando te beijo,
quando te sinto enterrado em mim,
quando me preenches por inteiro,
quando te provo, te engulo,
sei que te enlouqueço,
sei que sou tua mulher,
tua perdição, tua luxúria.

E nesse instante,
não há mundo além de nós,
apenas o fogo que nos devora,
a entrega que nos consome,
o êxtase que nos eterniza.




  Cléia Fialho

domingo, 1 de fevereiro de 2015

PECADO DESMEDIDO



Deixo-me levar pela tua vontade,
no ímpeto que rasga meu prazer.
Nos meus caminhos estreitos,
teu centro se encaixa,
meu corpo se contorce, se retorce,
escultura moldada em tuas mãos.

Tua sedução me arrasta,
tua mão sobre minha carne
me faz bandida, gulosa, atrevida.
Sou tua fêmea,
mulher libertina,
meu corpo implora teu dedilhar,
minha boca exige teu sabor.

Interrompo teus sonhos,
sou labareda acesa na tua realidade.
Sou tudo que desejas,
sou devassa e pudica,
sou mistério e entrega,
sou prazer e perdição.

Quero ouvir teus segredos,
permitir tua loucura,
sentir tua febre.
Tu desabrochas o leão,
faminto, febril, insaciável,
e dele me alimento sem pudor.

Quero teu pecado sem medida,
molhar teu eixo em gozo,
provocar tuas vontades,
atiçar tua fúria,
oferecer-me inteira.

Quero te ver pecar,
sou tua, crua, sem disfarces.
Toca meus seios,
sou tua verdade,
sou o instante de luxúria,
sou a entrega que não se nega.




  Cléia Fialho

sábado, 31 de janeiro de 2015

A BOCA QUE ME MATA



As costas dela bateram na pedra fria antes que pudesse respirar. As mãos grandes agarraram-lhe os ombros, os dedos calejados cravando-se na carne magra coberta de suor. Ela recuou — instinto, medo, a última centelha de resistência — mas o corpo curvou-se para a frente, os seios roçando o peito dele, a traição muda da carne que já não lhe pertencia.

— Vais ser a mártir dos meus sujos pecados — a voz dele, grave e seca, escorreu-lhe pelo ouvido como aço frio.

A coxa dele forçou-se entre as pernas dela, o tecido da saia esfregando contra a vulva. O roçar áspero arrancou-lhe um gemido que ela tentou engolir. Mordeu o lábio inferior até sentir a pele ceder, o gosto metálico invadindo a boca, quente e salgado.

— Vou fazer-te entrar no inferno dos gozos infinitos.

As correntes que apertava nos dedos — as amarras que a prendiam à repressão, ao silêncio, ao desejo nunca nomeado — tilintaram no chão de pedra quando os dedos se abriram. Ele agarrou-lhe o queixo e obrigou-a a abrir a boca sangrenta.

A língua dele invadiu-lhe a boca como uma lâmina quente. Os dentes cravaram-se no lábio ferido, a dor aguda arrancando-lhe um gemido abafado que se perdeu na garganta dele. O sangue escorreu pelo queixo, gota espessa e morna. As mãos calejadas agarraram a blusa e rasgaram o tecido — o som seco do algodão cedendo ecoou na pedra fria. 

Os seios nus expuseram-se ao ar, os mamilos endurecidos. Os polegares dele beliscaram-nos, torceram-nos, e ela soltou um grito estrangulado. Depois o chão. Os joelhos bateram na pedra. A mão na nuca empurrou-lhe o rosto contra o volume rígido sob as calças dele.

O cheiro do couro das calças dele invadiu-lhe as narinas quando o rosto foi pressionado contra o volume rígido. Os dedos na nuca não deram trégua. Ela abriu a boca, a língua encontrando o tecido áspero, o gosto de sal e suor. Ele soltou o cinto com um puxão seco. O pau saltou livre, grosso e rijo, a glande roxa e brilhante. Não houve comando — a mão na nuca empurrou-a para baixo e o pau forçou a entrada da garganta. 

Ela engasgou, a saliva espessa jorrando e escorrendo pelo queixo, pingando nas pedras frias. Os olhos encheram-se de água. Ele não parou. Estocou fundo, a garganta dela contraindo-se ao redor da carne quente, o som molhado do engasgo ecoando. As unhas dela cravaram-se nas coxas dele, os nós dos dedos brancos. Ele grunhiu, um som grave e satisfeito, e puxou-a pelos cabelos para trás. O pau saiu com um estalo úmido, um fio de saliva ligando a glande aos lábios inchados dela.

Depois o chão de novo. Ele virou-a de bruços, o rosto pressionado contra a pedra fria. Os joelhos dele abriram as pernas dela, as mãos calejadas agarrando as ancas magras. A ponta do pau roçou a entrada da buceta molhada — e entrou de uma vez. Ela gritou. Um som agudo e incontrolável que ricocheteou nas paredes. Ele estocou num ritmo brutal, sem pausa, o som de carne batendo contra carne enchendo o ambiente. A buceta apertava-se ao redor do pau, os líquidos dela escorrendo pelas coxas e pingando na pedra. 

Os dedos dele alcançaram o clitóris e esfregaram com pressão feroz, círculos duros que arrancavam gemidos cada vez mais altos. — Diz — a voz dele era um rosnado contra a orelha dela. — Diz que vives para isto. Ela soluçou, o corpo inteiro a tremer. — Vivo... vivo para os teus gozos. O orgasmo atravessou-a como uma lâmina. A buceta contraiu-se em espasmos ao redor do pau, o grito agudo rasgando-lhe a garganta. Ele grunhiu alto, estocando até o fundo, e gozou dentro dela. O sêmen quente transbordou, escorrendo pelas dobras da vulva até o chão de pedra, onde as correntes quebradas jaziam.

O corpo tremia ainda. Pequenos espasmos percorriam as coxas magras, os músculos exaustos que não respondiam mais a comando algum. A Mártir permanecia de bruços sobre a pedra fria, a respiração um fio irregular que arranhava a garganta. O sêmen escorria de dentro dela — quente no primeiro instante, depois morno, depois apenas úmido enquanto descia pela dobra da vulva e pingava no chão. Sentia-o escorrer e não fazia nada para o conter. As pernas abertas, os joelhos dormentes contra a pedra, a buceta ainda latejando no ritmo das estocadas que já tinham cessado.

O Algoz ajoelhou-se ao lado dela. A respiração dele, ainda audível, recuperava o controle — inspirações longas, expirações medidas. As mãos calejadas tocaram os ombros dela e viraram-na de costas para o chão. Os quadris doeram contra a pedra fria, as omoplatas pressionadas contra a superfície dura. Ela deixou-se virar, os braços moles, as pernas abertas. Os olhos fundos encontraram os dele — aquele olhar fixo que não pestanejava, que a observava como se lesse cada pensamento sujo que ela jamais ousara confessar.

Os dedos dele desceram pelo ventre dela. Recolheram o sêmen que ainda escorria da buceta — a ponta dos dedos roçando os lábios inchados, recolhendo o líquido branco e espesso — e espalharam-no sobre a pele do ventre magro. Círculos lentos. A marca dele sobre ela. O cheiro dos dois corpos misturados subia da pele quente.

A Mártir agarrou o pulso dele. Os dedos magros apertaram com a força que ainda lhe restava, os nós dos dedos brancos contra a pele morena do Algoz. Puxou a mão dele para baixo, contra o ventre, mantendo-a ali. O olhar rendido fixou-se no dele.

— Não quero mais sair daqui — a voz saiu rouca, as palavras entrecortadas pelo cansaço. — Não quero mais sair deste inferno.

Ele não respondeu. Os olhos não pestanejaram. Inclinou-se sobre ela e pousou os lábios na testa suada — um beijo seco, silencioso, definitivo. As correntes quebradas jaziam ao lado deles, e ela sabia que jamais as recolheria do chão.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

VULCÃO DE DESEJO



Nossos encontros reinventam mundos,
explosões de prazer que não se contêm,
tesão que transborda,
delírio que só contigo eu divido.

Teu corpo pulsa em mim,
encaixe perfeito, gritos indecentes,
palavras sujas, gestos ardentes,
num vai e vem profundo,
fazendo-me morder os lábios,
gemendo no ritmo molhado
dos teus espasmos e suores.

Seguimos na dança insana da pele,
carne contra carne,
poesia que não se escreve,
apenas se sente,
tremores múltiplos,
explosões saborosas.

Nossos olhos se fecham,
cúmplices em gemidos e lágrimas,
como fogueira que arde,
brasas vivas buscando ar.

Quero teu beijo que me conquista,
quero teu gemido safado
em cada lambida, em cada penetração.
Quero posições ousadas,
macho e fêmea em cio,
querendo sempre mais,
mesmo que seja pecado,
mesmo que doa um pouco,
até virar prazer absoluto.

Quero o voo mais alto,
a loucura sem freio,
o êxtase que nos consome,
a liberdade que nos une,
a explosão que nos eterniza.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

BOCA QUE TE DEVORA



Entregue, diante de ti,
teu pau rígido, enorme, pronto para mim.
Nossos corpos suados, respingos de desejo,
minha rede escolhida só para esse momento.

Sem hesitar, engoli tua carne até o fundo,
minha garganta se abriu para te receber.
Chupei, lambi, tirei e voltei a sugar,
engolindo cada centímetro,
como se fosse meu único alimento.

Teus olhos em êxtase,
teus suspiros me incendiavam.
Minha boca faminta descia aos teus sacos,
lambendo, sugando,
saboreando cada parte que era só minha.

Horas antes, tu me fodias como fera,
agora eu te devorava inteira,
com meus seios à mostra,
minha calcinha colada à pele,
meu corpo entregue ao teu domínio.

E então, no auge do torpor,
tu jorraste em minha boca,
esperma quente, grosso, abundante,
do jeito que me enlouquece.
Engoli tudo, cada gota,
sem deixar escapar nada,
como tua mulher faminta,
como tua escrava do prazer.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O DIA EM DELÍRIO



O dia desperta em fúria.  
O sol ergue-se duro, ereto, incendiado.  
Tesão queimando no horizonte.  
O mar se abre em cio.  
Ondas lambem a pele da praia.  
A língua líquida devora sem pudor.  
Um azul febril se derrama.  
O sol é testemunha do ritual.  

O tempo corre em vertigem.  
O dia não se sacia.  
Permanece ereto, pulsando, exigindo.  
O prazer se prolonga até o fim.  
A lua nua recebe o gozo ardente.  
Inteira, entregue, possuída.  
Estrela solitária brilha como respingo de êxtase.  
O universo inteiro é orgasmo.  




  Cléia Fialho