TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 11 de setembro de 2020

MORDIDA NO VERSO



Cada golpe de quadril — um corte aberto,  
cada curva minha — sílaba que range,  
no teu urro gutural eu escrevo a contrapelo  
o poema que tua pele desfia em carne viva.  

Te preencho com jorro grosso e leitoso,  
marco teu útero com punho de estancar rios,  
e restas — fera — no colchão que sangra versos,  
enquanto o suor nos cola como resina quente.  

Teus dedos arranham minhas costas — lavra,  
teus dentes mordem meu nome — brasa,  
e eu teimo em semear gemidos que viram raiz,  
nessa terra úmida onde o gozo é lavoura.  

Não há rima que dome essa lavagem de corpos,  
nem métrica que caiba no vão das tuas coxas —  
somos dois animais escrevendo com os ossos  
a única verdade que o pudor não ousa:  
o amor é um espasmo que a língua não traduz.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

COMENDO COM DOMÍNIO



Meu corpo marcado
 banhado pelo seu gozo
 em minhas entranhas
 escoriações deixadas
 pela rigidez da sua paixão.

 Minha pele tatuada
 por suas taras obscenas
 vem me comendo com domínio
 já faça parte da sua ceia...




  Cléia Fialho

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

PELE E CORPO



Gemidos sussurram... desejos a arder
Sentimento intenso
Pele a pele, corpo a corpo
Fogo que consome.

Teu olhar me envolve
Em silenciosa tentação,
Enquanto a noite derrama
Estrelas sobre a paixão.

Mãos que percorrem caminhos
Com delicadeza e calor,
Despertando em minha alma
Os segredos do amor.

E entre suspiros contidos,
No compasso do querer,
Dois corações se entregam
Sem medo de se perder.





  Cléia Fialho

terça-feira, 8 de setembro de 2020

SUA LOUCA FANTASIA



Cada palavra da minha poesia
 em sua escrita tem um teor
 faço-me sua louca fantasia
 transformo-me em seu amor.

 Converto-me em seus desejos
 visito seus sonhos libertinos
 transmudo-me em seus beijos
 causando-te lapsos divinos.

 Eu roubo o seu sono
 com meu manto paixão
 deixo-te no abandono
 ardendo de tesão.

 Sou oculta em meu véu
 mas revelo-te meu interno
 seduzo-te ao meu céu
 escravizo-te em meu inferno!




  Cléia Fialho

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

CORPO ESCRITO



O meu dedo desce pela tua barriga como uma caneta.
E eu escrevo o que não digo em voz alta
— traços invisíveis que só a tua pele guarda.

Tu fechas os olhos e eu leio o teu corpo
cada curva, cada arrepio, cada suspiro que tu soltas.
A minha mão desce devagar, como quem relê um poema
e cada verso teu é mais quente do que o anterior.

Eu toco-te onde a pele muda de textura
onde o calor se adensa
onde o teu corpo pede mais antes da tua boca dizer.
A minha língua segue a minha mão
e eu escrevo-te novamente — agora com a boca.

Cada beijo meu é uma vírgula que te faz pausar
cada mordida é um ponto final que recomeça.
E eu não quero terminar este poema nunca
porque tu és o texto que eu quero reler
até saber de cor
cada sílaba tua
cada pausa
cada gozo.




  Cléia Fialho

domingo, 6 de setembro de 2020

MEU ANJO DO PRAZER




Então amor, não resista
invista nestes desejos pecaminosos
com gostinho de "quero mais"...

Queria sentir seu corpo cheiroso
derretido de tanto querer
derramando todo seu prazer
em um clímax delicioso...

Eu suspiraria entre gemidos
suavemente em seu ouvido
como é gostoso gostar de você
meu anjo do prazer.




  Cléia Fialho

sábado, 5 de setembro de 2020

DOCE PENUMBRA DA NOITE



Sob o manto de estrelas cintilantes, nossos olhares se cruzaram como meteoros em uma noite de verão.
O suspiro suave do vento sussurrava segredos ancestrais, enquanto nossos corações se abriam, desvendando o intricado labirinto do amor.

Tua presença era como uma melodia suave, que ecoava nos recantos mais profundos da minh'alma, acendendo fagulhas de paixão, que há muito jaziam adormecidas.
Teus olhos, poços de mistério e promessa, me envolviam em seu abraço, e eu me perdia nas profundezas daquele oceano inexplorado.

As palavras, antes simples veículos de comunicação, agora ganhavam vida em nossos lábios, dançando em um balé de promessas e desejos.
Cada riso, cada toque, cada olhar era um poema não dito, uma confissão silenciosa de um amor que transbordava de nossos corações.

À luz da lua, juramos eternidade, selando nossos destinos em um abraço que fundiu nossas almas em uma só.
Naquele momento, éramos eternos amantes, perdidos na vastidão do tempo, navegando juntos pelos mares incertos da vida.

E assim, na doce penumbra da noite, 
sob o céu estrelado, nossa prosa se tornou poesia, e nosso amor, uma história escrita nas estrelas, uma ode eterna à paixão que queimava em nossos corações.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

FELIZES




Florescendo, flutuando, felizes,
nossos corpos aprendem a linguagem do ar,
onde o desejo não pesa
— apenas dança.

Flertamos furtivamente, fascinados,
no intervalo exato entre o olhar e o toque,
quando a respiração trai o silêncio
e a pele confessa o que a boca ainda hesita.

Teus dedos me percorrem
como quem acende constelações íntimas,
e eu me entrego, lenta,
ao ritmo secreto do teu querer.

Feito fogos flamejantes, fugazez,
somos faísca e incêndio,
ardendo no instante
em que o prazer floresce
e o mundo, por um sopro,
se desfaz em luz.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

MESMO SEM QUERER



E mesmo sem querer
vou me envolvendo
em sua rede de intrigas
acabo sempre cedendo
suas balelas depois das brigas

Submeto meu corpo
e meu coração
para esta doentia paixão
que é minha ruína
me iludindo ser boa
só me usa e me deixa à toa...




  Cléia Fialho

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

SABOR INEBRIANTE



Agarro-me em teu corpo
sirvo-me do teu falo
latejante e rijo
escancaro-me no ato.

Adente em febre
sugo e bebo da tua taça
tem sabor inebriante
teu tesão percorre-me
arrepiando a minha carne.

Enlouqueço... deliro...
sem limites, desvairada
trêmula... tomada de lascivia
minha boca ardente
transborda teu delicioso sêmen.




  Cléia Fialho