TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

LÁBIOS LAMBEM




Lúdicas lutas livramos
na pele do instante,
longas, loucas, leais,
onde o desejo não foge,
apenas insiste.

Lascivas linhas, lançando
segredos no escuro,
lendas lascando
o silêncio que treme
entre dois corpos atentos.

Lábios lambem
o tempo suspenso,
lume lento
acendendo arrepios
no território da espera.

Há um lúbrico lamento
que não dói — chama,
luxúria lateja
como pulso vivo,
como maré que aprende o ritmo.

Lume levantando
da alma à carne,
libido liga
olhares, gestos,
promessas que não pedem nome.

E assim seguimos,
entre jogo e vertigem,
fazendo do desejo
uma língua secreta
que só o sentir sabe ler.




  Cléia Fialho

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

ILUSÃO FUGAZ




Lutar pela honra
é como buscar sombra
em um deserto moral,
muitas vezes,
o que se encontra
é apenas uma ilusão fugaz.

Mas contigo, amor,
a areia vira oásis vivo,
tua presença a sombra verdadeira
que refresca minha sede antiga.
No teu abraço, a honra renasce,
não mais miragem,
mas refúgio eterno,
onde nos perdemos e nos achamos.

Deserto sem fim se curva ao teu toque,
ilusão se desfaz no calor dos nossos corpos,
luta que valia a pena,
enfim ganha,
na paz do teu olhar.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

TEMPEROS E SABORES



Meu corpo celeiro
 Com sementes e flores
 Nua ... simplesmente sua ...

 Revisto-me de cores
 Temperos e sabores
 Encalços efêmeros
 Sobre as minhas torres ...

...que se erguem ao teu toque faminto,
torres de carne trêmula, coroas de prazer.
Teu olhar semeia brotos na minha terra úmida,
flores desabrocham em curvas de êxtase febril.

Sabores se misturam no beijo voraz,
temperos de suor salgado em vales escondidos,
nua e tua, entrego o celeiro ao teu arado,
sementes germinam em ondas de fogo eterno.

Corpos colidem, efêmeros viram imortais,
minhas torres desmoronam em teu abraço,
revisto de ti, simplesmente tua,
celeiro em flor, para sempre teu banquete.




  Cléia Fialho

domingo, 27 de dezembro de 2020

INSTINTOS E SENTIDOS



Ensandecida de doçura sensual
anseio sorver o orvalho dos teus poros
consubstanciado meu corpo ao teu
bailando ao timbre dos nossos sussurros
sonoro hino alucinante de amor.

Redenção aos instintos e sentidos
que nos consome em delírios
saboreando os desejos da legenda
da qual nosso slogan meramente é
desfrutar da doce junção tremulante
corpos... almas... corações...




  Cléia Fialho

sábado, 26 de dezembro de 2020

AROMA INEBRIANTE



Teus dedos livres me tateando
me alucinam na exploração do prazer
provocam saborosas sensações
arrepios corporais me excitando.


Sou só gemidos, nada consigo dizer
somos como lavas em explosões
sua sedução me fragiliza, me afaga
despertando meus íntimos sentidos.

Antes... durante e depois
minha lascívia essência se propaga
aroma inebriante de fluídos
do amor concebido entre nós dois.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

MEU PRAZER



Meu prazer
 está no prazer
 que vem do seu prazer...
 Está dominado
 pelo seu domínio
 quando você me domina...
 Está saciado
 pelo desejo
 dos seus desejos saciados...

Meu êxtase se curva ao teu comando,
teu fogo me consome, me refaz inteiro,
no teu prazer, encontro meu infinito.

Teu domínio é corrente doce na carne,
meu corpo obedece, vibra ao teu querer,
saciedade que nasce do teu gozo pleno.

Desejos entrelaçados em suor e suspiros,
teu prazer me inunda, me eleva ao céu,
nós dois, um só pulso no clímax eterno.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

FAVOS DE MEL




Favos de mel
são os teus lábios
conduzem-me ao céu.

Beijos sabor de chocolate
pôs fim a minha dieta
sugando-me por toda parte.

Tudo agora é liberado
meu regime acabou
cedendo tentações
do meu amado!




  Cléia Fialho

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

ATRITO SELVAGEM



Meus dias sem ti foram eras desérticas, séculos de cinza,
uma contagem maldita de madrugadas em que o vazio me habitava.

Nesses meses de exílio, 
fechei os olhos para te inventar na carne:
desenhei a tua boca em órbitas sinuosas, 
trajetórias oblíquas na minha pele,
alucinanda com o volume exato 
do teu corpo desabando sobre o meu,
o esmagamento perfeito que me devolve a vida.

Agora que a distância ruiu, 
inicio o movimento quase em câmera lenta.

Saboreio o atraso, a dilatação do tempo, 
cada milímetro de encaixe,
deixando que a fricção inicial 
seja uma tortura requintada.

Mas o freio arrebenta.

A cadência se transforma em galope, 
profundidade brutal, vertigem sem rédeas,
um impacto cego que busca 
o teu centro mais obscuro.

Exponho o meu peito ao teu instinto caçador,
erguendo a carne trêmula 
como um tributo à criatura que te habita.

Não tenhas pressa de ser gentil:
puxa-me com força, 
crava os dentes na minha aréola acesa,
esmaga os meus seios entre as tuas mãos famintas
e deixa que a dor e o prazer se fundam no mesmo grito.

Nossos corpos travam um combate sem sobreviventes,
onde o suor atua como o lubrificante desse atrito selvagem.

Cada estocada tua destrói um mês de solidão,
cada contração minha te prende mais fundo no meu abismo.

Somos a fome que se devora a si mesma,
um incêndio visceral que 
nenhuma madrugada será capaz de apagar.




  Cléia Fialho

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

SEM MEIAS VERDADES



Meu querer
 tranquilo... franco...
 simples... singelo...
 ádito lacrado
 adentrar eu quero
 preencher seu aposento
 deitar-me em seu leito
 e por um momento
 aconchegar-te em meu peito
 sem meias verdades
 sem enganos
  
Plenas prodigalidades
 sombrias de nossos esboços
 nossos corpos que
 em frenesi e alvoroço
 exclamam: Sim!

Somos desenhos proscritos
 como obras de Voltaire
 neófitos e eruditos
 desde o prelúdio
 apaixonados
 marcados como tatuagem
 no coração
 doce paixão
 amor selvagem...




  Cléia Fialho