Meus dias sem ti foram eras desérticas, séculos de cinza,
uma contagem maldita de madrugadas em que o vazio me habitava.
Nesses meses de exílio,
fechei os olhos para te inventar na carne:
desenhei a tua boca em órbitas sinuosas,
trajetórias oblíquas na minha pele,
alucinanda com o volume exato
do teu corpo desabando sobre o meu,
o esmagamento perfeito que me devolve a vida.
Agora que a distância ruiu,
inicio o movimento quase em câmera lenta.
Saboreio o atraso, a dilatação do tempo,
cada milímetro de encaixe,
deixando que a fricção inicial
seja uma tortura requintada.
Mas o freio arrebenta.
A cadência se transforma em galope,
profundidade brutal, vertigem sem rédeas,
um impacto cego que busca
o teu centro mais obscuro.
Exponho o meu peito ao teu instinto caçador,
erguendo a carne trêmula
como um tributo à criatura que te habita.
Não tenhas pressa de ser gentil:
puxa-me com força,
crava os dentes na minha aréola acesa,
esmaga os meus seios entre as tuas mãos famintas
e deixa que a dor e o prazer se fundam no mesmo grito.
Nossos corpos travam um combate sem sobreviventes,
onde o suor atua como o lubrificante desse atrito selvagem.
Cada estocada tua destrói um mês de solidão,
cada contração minha te prende mais fundo no meu abismo.
Somos a fome que se devora a si mesma,
um incêndio visceral que
nenhuma madrugada será capaz de apagar.