segunda-feira, 24 de agosto de 2015
INSTANTE EM QUE TE ESCREVO
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domingo, 23 de agosto de 2015
O AMOR QUE PULSA DENTRO DA GENTE
As tuas mãos quentes me apertando,
Sinto o calor que delas irradia.
Um gesto terno, amoroso e cativante,
Que acalenta meu coração com alegria.
Nelas encontro um abraço acolhedor,
Um toque suave, cheio de carinho.
A força do teu afeto, meu amor,
É como um bálsamo, um doce vinho.
E assim, juntos, vamos caminhando,
Segurando nossas mãos firmemente.
É na união que encontramos o ampliando,
O amor que pulsa dentro da gente.
sábado, 22 de agosto de 2015
MARÉ DE TI
Teu corpo é a maré que me arrasta e me afoga,
Onde a água invade a praia e a possui devagar;
Teu gemido — licor que meu ventre interroga,
Tua boca, sacrilégio que me faz blasfemar.
Nas noites em que a lua desperta e nos desnuda,
Transbordamos desejo em cada arqueio, em cada osso;
Sobre o lençol amarrotado, minha fome não muda,
Suor que escorre entre as coxas, salgado, obsceno, nosso.
São teus lábios cardume que me percorre a pele,
Matam a sede antiga que só a tua saliva sela,
Provando à alma que gozo também é oração.
É o teu corpo — corola aberta, se entrega e revele —
Derrama em mim o mel de uma febre que apela,
Água quente onde navega, insaciável, meu tesão.
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
A VARANDA
Fazia trinta e dois graus à meia-noite.
O calor que não deixa dormir, que faz o corpo pedir vinho gelado, janelas abertas e roupa nenhuma. Estávamos os dois na varanda do meu quinto andar — ele de calções, sem camisa, eu com uma camisa larga dele por cima da pele nua e nada por baixo.
O prédio da frente estava a três metros. Perto demais. Sempre foi.
— Aquela luz acesa é do velho do 4º — sussurrei, apontando com o copo. — Aquele que me olha sempre no elevador.
Ele sorriu, encostado ao ferro da varanda.
— Deve estar a olhar agora.
— Deve.
Bebeu um gole de vinho. Olhou-me de cima a baixo. E aquele olhar dele — lento, escuro, o mesmo que me despia todas as noites — fez-me apertar as coxas uma contra a outra sem pensar.
Ele reparou. Claro que reparou.
— Vem cá.
Fui.
Encostou-me ao ferro da varanda, de frente para o prédio da frente, com as suas mãos pousadas nas minhas ancas por trás. O peito dele quente contra as minhas costas, a respiração dele no meu pescoço, e a luz do 4º andar mesmo em frente aos meus olhos.
— Ele vai ver— sussurrei.
— Que veja.
A boca dele desceu-me pelo pescoço. Uma das mãos subiu-me por dentro da camisa, encontrou-me o seio nu, apertou. O mamilo endureceu-lhe contra a palma e eu deixei escapar um gemido pequeno que se foi perder no ar quente da noite.
A outra mão dele desceu.
Muito devagar, subiu-me a barra da camisa. Só um pouco. O suficiente para que se visse. O suficiente para que qualquer um a olhar de uma janela em frente entendesse o que estava a acontecer.
— Abre as pernas — sussurrou-me ao ouvido.
Abri.
Os dedos dele encontraram-me. Já estava molhada — molhada desde a segunda taça de vinho, molhada desde que ele tinha tirado a camisa — e ele gemeu baixinho contra o meu pescoço quando sentiu.
— Toda a gente vai perceber — disse. — Toda a gente que estiver a olhar.
Olhei para o prédio da frente. A luz do 4º andar continuava acesa. E no 6º, agora, tinha-se acendido outra. Uma silhueta atrás do cortinado.
O meu ventre apertou-se todo. Não sabia se era vergonha ou desejo. Provavelmente as duas coisas.
Os dedos dele mexiam-se dentro de mim num ritmo lento e cruel, o polegar em círculos exactos por cima, e eu tinha de me segurar ao ferro da varanda para não cair. As minhas ancas mexiam-se sozinhas contra a mão dele. A camisa aberta ao vento morno, os seios expostos à noite de Lisboa, e uma janela em frente onde alguém, com toda a certeza, estava a olhar.
— Não pares — gemi.
— Não paro. Mas quero-te de outra forma.
Virou-me. Encostou-me as costas ao ferro da varanda. Ajoelhou-se aos meus pés na varanda em plena vista de quem quisesse ver, levantou-me a camisa e a boca dele encontrou-me ali, quente, obscena, sem paciência.
Tive de morder o pulso.
A língua dele traçava-me em círculos lentos, depois rápidos, depois fundos — e eu já não sabia onde estava, se na varanda ou no céu ou em nenhum lugar. Uma das minhas mãos agarrou-lhe o cabelo. Puxei. Ele gemeu contra mim e a vibração fez-me arquear as costas contra o ferro quente.
Senti a onda a subir depressa.
— Espera — arfei. — Quero-te dentro.
Levantou-se. Baixou os calções num só gesto. Levantou-me uma perna, encaixou-a na anca dele, e entrou em mim ali mesmo — de pé, contra o ferro da varanda, com meia Lisboa a ver.
Gritei baixinho. Ele tapou-me a boca com a mão, sorrindo.
— Ssshhh.
Moveu-se fundo, lento primeiro, depois cada vez mais rápido. O ferro quente contra as minhas costas, o corpo dele a queimar contra o meu à frente, e a certeza — a certeza deliciosa, obscena, imparável — de que estávamos a ser vistos.
Olhei por cima do ombro dele. A silhueta do 6º andar continuava lá, imóvel atrás do cortinado.
Isso fez-me vir.
Vim com um gemido abafado contra a mão dele, tremendo inteira contra o ferro, e ele veio logo a seguir, mordendo-me o ombro para não gritar, empurrando-se dentro de mim uma última vez enquanto tremia todo.
Ficámos ali um instante. Ofegantes. Suados. O calor da noite colado à pele.
Ele afastou-se devagar. Compôs-me a camisa com uma ternura estranha para o que tinha acabado de fazer. Beijou-me a testa.
— Achas que ele viu?— sussurrei.
Olhou para o prédio da frente. Sorriu.
— Ele e mais três.
Ri contra o peito dele.
E servi mais vinho.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
A FELINA EM MIM 1
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015
ENTRELAÇOS DE SENTIDOS
Nos sussurros da noite,
teus lábios são melodia,
tocam-me suavemente,
com a delicadeza
de um vento noturno.
Teu olhar, faíscas de fogo,
acende labaredas em meu ser,
esculpindo desejos ocultos,
em cada curva do meu sonho.
No abraço do silêncio,
nossas almas dançam,
num balé de suspiros,
onde o tempo se desfaz.
Teu perfume, um jardim secreto,
embriaga, enlaça, envolve,
numa dança de pétalas,
que floresce em minha pele.
E assim, em versos e toques,
tecemos a sinfonia dos sentidos,
num poema onde somos eternos,
e o desejo é o nosso amor.
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