TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





segunda-feira, 14 de setembro de 2015

sábado, 12 de setembro de 2015

TECIDO DE CONFIDÊNCIA




Numa manhã de sol suave   
caminhamos lado a lado,   
o riso flui como o rio,   
a leveza nos embala.   

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O QUE SINTO NO MOMENTO EM QUE SOU TUA



Sou tua neste instante.

Deitada debaixo de ti, com o teu peso a esmagar-me deliciosamente contra o colchão, com as tuas mãos a prenderem-me os pulsos sobre a cabeça — sou tua de uma forma que nenhuma palavra decente consegue descrever.

O lençol está por baixo de nós, mas nós estamos noutro sítio. Estamos naquele lugar onde o tempo se torna elástico, onde os minutos incham como bolhas e rebentam devagar, onde nada mais existe excepto a tua respiração no meu pescoço e o meu coração a bater tão forte que tu deves senti-lo contra o teu peito.

Abre-me. Sabes que já estou aberta.

Estou aberta desde que entraste pela porta com aquele olhar que me dispensa palavras. Estou aberta desde que me arrancaste o vestido pelos ombros sem paciência para fechos. Estou aberta desde que a tua boca desceu-me pelo pescoço, pela clavícula, pelo vale entre os meus seios, ensinando-me outra vez o mapa que já sabia de cor.

Entra devagar, como sabes que gosto. Deixa-me sentir cada centímetro, deixa-me arquear as costas do colchão e gemer para dentro da tua boca aberta sobre a minha. Depois vai fundo. Vai onde ninguém mais foi. Vai a esse sítio em mim que só tu conheces e que responde só a ti — esse sítio secreto que reservei para ti antes ainda de te ter conhecido.

Sou boca — aberta a chamar-te. Sou ancas — a subir para te encontrar a meio caminho. Sou coxas — apertadas à volta da tua cintura como se tivessem medo que fugisses. Sou dedos afundados no teu cabelo, unhas cravadas nos teus ombros, suor a misturar-se com o teu suor até já não haver forma de distinguir.

Chama-me tua.
Chama-me alto.
Chama-me à frente.

Diz-me obscenidades ao ouvido enquanto te mexes dentro de mim. Diz-me como estou molhada, como estou apertada, como és tu que me pões assim. Diz-me que sou tua puta e tua rainha, tua santa e tua pecadora, tua mulher e tua desconhecida — todas ao mesmo tempo. Diz-mo. Sei que sou. Sou tudo o que quiseres que eu seja, contigo, agora, aqui.

Marca-me. Morde-me o pescoço, deixa-me a marca dos teus dentes onde toda a gente possa ver amanhã, para que eu passe o dia inteiro na rua a lembrar-me de agora, a apertar as coxas debaixo da secretária, a corar quando alguém me pergunta se estou bem.

Segura-me o pescoço com essa tua mão grande — com a gentileza de sempre, com a firmeza que me faz gemer. Sabes que gosto. Sabes que é aí que eu me perco. Sabes que é aí que deixo de ser eu e passo a ser só tua.

Cavalga-me se me quiseres em cima. Vira-me se me quiseres de bruços. Levanta-me se me quiseres contra a parede. Fá-lo. Faz de mim o que quiseres.

Estou entregue.
Estou entregue como nunca me entreguei a ninguém.
Nem a mim mesma.

Sente-me a apertar-me à tua volta... A tremer por dentro. Sente-me a vir sob ti — a chorar de gozo, a chamar-te, a esquecer o meu próprio nome — e depois vem tu, vem em mim, vem fundo, vem tudo. Deixa em mim uma parte tua para eu levar comigo pelo dia fora.

Que o meu corpo guarde o teu por dentro até amanhã.

Que a minha pele fique com o teu cheiro por baixo do perfume. Que a minha boca fique com o teu gosto por baixo do café. Que o meu ventre fique com o eco da tua fome mesmo depois de eu me lavar.

Sou tua 
— no sentido mais obsceno
— mais bonito
— mais definitivo dessa palavra.

Sou tua na mesa do jantar quando conversamos sobre coisas banais... no elevador cheio quando finjo não te olhar... Em cada instante em que respiro.

E se me tiveres de novo daqui a uma hora, serei outra vez.
E daqui a uma hora depois dessa. 
E amanhã. 
E depois de amanhã.
Sou tua.
Sempre.



  Cléia Fialho

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

ESTRELAS PELAS RUAS



Nas esquinas do tempo, o relógio pára  
e as nuvens dançam, em um baile de cores,  
donde os espelhos conversam com as sombras,  
abrindo caminhos para chão de ouro.  

Um pássaro de cristal, com asas de verbos,  
vira a esquina e desenha o céu,  
arrastando estrelas pelas ruas do dia,  
onde as flores sussurram segredos ao sol.  

A lua, uma luna de papel,  
quedas e levitas, nos braços da noite,  
meu coração, um gato sarnento,  
persegue ratos de ideias velhas.  

Enquanto as montanhas giram em torno,  
as lembranças se tornam fumaça,  
e o riso de uma criança dispersa,  
preenche os vazios de um mundo esquecido.  

Ah, o sabor do silêncio é amargo,  
mas a borboleta ri, anestesiada,  
quando a realidade se despedaça  
e o sonho toma a forma do despertar.




  Cléia Fialho

terça-feira, 8 de setembro de 2015

CANTO DE PÁSSAROS




Na alvorada clara  
um sorriso desponta,  
círculos de luz  
dançam no arco-íris,  
corações se entrelaçam,  
como mãos buscando calor.  

As flores risadas,  
sussurram segredos ao vento,  
o perfume da vida  
se espalha em cada esquina,  
trazendo esperança,  
como um canto de pássaros.  

Crianças brincam,  
seus olhos brilhando,  
cada passo uma descoberta,  
a felicidade mora  
na simplicidade  
de um instante compartilhado.  

Abraços apertados,  
uma festa de amor,  
o sol em cada rosto,  
as vozes em harmonia,  
juntos compondo a sinfonia  
da alegria que nunca acaba.




Cléia Fialho