TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

TEU CORPO OBEDECE AO MEU QUERER

 



O ritmo do meu peito dita a nossa cadência,
uma batida que ecoa em cada entrega.

Repouso sobre ti, 
desprovida de qualquer véu,
num balanço que imita o tempo,
ida e vinda, 
o pêndulo da nossa urgência.
Um movimento de calma, 
um compasso que desdobra o desejo.

Sorrio ao recordar o primeiro encontro,
o instante em que tudo começou a ganhar forma.
Minha boca traça mapas no teu rosto,
mordendo pedaços do que é só teu,
enquanto o ar escapa, 
revelando o pulsar acelerado
que agora não me pertence mais, 
pois é compartilhado.

Tua voz se eleva, 
mas teu corpo obedece ao meu querer;
suas mãos, 
presas na vontade que eu ditei.
Quando o ápice se aproxima, 
o encaixe se faz inteiro:
o toque da pele, 
a firmeza da entrega,
a sensibilidade que se traduz em calor.

Toco a mim mesma e te busco,
enquanto o meu nome em teus lábios é faísca.
Sinta o perfume, 
a corrente elétrica que me percorre,
a viscosidade que sela a união dos nossos corpos.

Já não há margem para contenção,
o pêndulo quebrou a inércia,
e agora, entregue,
 eu me perco em ti.




  Cléia Fialho

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

— A PELE NA PELE —



O olhar encontra o papel,
e o que era traço vira febre.
Meus dedos, impacientes,
desabotoam o silêncio da roupa
enquanto a mente, em transe,
toca o que a mão ainda não alcança.

Sinto o peso da ausência
entre o meu corpo e o vazio do sofá.
A embriaguez — 
não do álcool, mas do desejo —
me faz fantasiar o encontro:
— a pele na pele —
a curva do rosto onde perco o prumo,
o gosto de ti, que invento no ar.

O lápis escorrega,
o real se mistura ao delírio.
Limão e álcool pairam no ambiente,
trazendo-me de volta ao exercício:
só te possuo na ponta do grafite.

Contorno o papel,
esculpo tua boca em um suspiro,
busco tua forma na tela estática.
Tua pele, que imagino, não tem toque;
teu nome, que sussurro, não tem resposta.
Estou aqui, desenhando um abismo
que meu querer chama de você.




  Cléia Fialho

domingo, 20 de dezembro de 2015

ENTRE O SILÊNCIO E O DESEJO



O ar pesado, o toque que não pede licença,
Teus dedos percorrem o mapa da minha pele,
Um sussurro rouco, uma breve sentença,
Que faz com que a razão, enfim, se rebele.

Sinto o teu pulso acelerando o meu,
A sombra do desejo desenhada no quarto,
O teu corpo buscando o que sempre foi teu,
Neste jogo ardente, onde o sentir é farto.
CF


Tua respiração, melodia que me consome,
O perfume que inundo e que me traz o caos,
Não preciso de preces, nem de nome,
Apenas da entrega onde os sentidos são maus.

Tua curva convida, teu fogo incendeia,
Eu sou o náufrago em tua correnteza,
Nesta dança onde o medo logo se arreia,
E a carne revela a sua inteira crueza.
DRM


Tua entrega é a chave, meu corpo, a porta,
Onde a lua testemunha o nosso delírio,
A nudez da alma, que pouco se importa,
Com o tempo ou o mundo, ou qualquer martírio.
CF


Somos o encontro, o choque, o abismo,
Onde o prazer se faz língua e se escreve,
No ápice desse eterno mecanismo,
Onde a carne pesada se torna leve.
DRM




  Cléia Fialho & Don Juan DeMarco

sábado, 19 de dezembro de 2015

O RUMO DO TEU ENCANTO




Meu vulto, tal chama, anseio intenso,
Incendeia, instiga este querer,
Ao contato, vibra o imenso
Sentimento de enfim pertencer.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

VERTIGEM QUE DOMINA




Teu corpo, meu ardente anseio,
Ao menor contato, noto o ardor,
Entre abraços, encontro o meio
De fundir-me à tua febre, ao torpor.