TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A LINGUAGEM DO DESEJO


A linguagem é pele que fala,
é gesto que se insinua em silêncio,
como mãos que, ao se tocarem,
já sabem o destino do arrepio.

O poeta — esse corpo que escreve —
ama com as letras, deseja com os olhos,
faz do papel um leito sagrado
onde o verbo se despe e se deita.

Cada verso pulsa como boca entreaberta,
cada pausa arfa como peito ofegante,
e as palavras, nuas, dançam em segredo
na coreografia íntima das vontades.

É o amor traduzido em linhas abertas,
o gozo sutil entre o som e o sentido,
na vertigem doce de um poema
que ama como só o silêncio ama.

Aqui, a metapoesia não finge —
é chama, é rito, é carne que sente,
pois quando o desejo escreve,
a linguagem inteira se rende.





  Cléia Fialho

domingo, 21 de agosto de 2016

ENCONTRO EM NOTURNA HARMONIA



Na penumbra que se derrama
sobre o silêncio das palavras,
nossos corpos se buscam —
não com pressa,
mas com a urgência de quem reconhece
a eternidade nos instantes.

Cada toque — um verso sem rima,
cada gemido — a música do íntimo.
A noite nos cobre com seu manto cúmplice,
e sob ela, nos despimos
de tudo que não é desejo.

Tu chegas inteiro —
não só em pele e calor,
mas no fulgor de teus olhos
e no convite velado dos gestos.
Teu ser me chama
como um poema inacabado
à espera do meu sopro final.

Nos misturamos como vento e maré,
como tinta e papel,
como sonho e pele.
Já não há bordas —
há apenas um compasso
em que o amor se desenha
livre, sem moldura,
na ousadia do agora.

E nessa dança que não pede licença,
somos essência
e verso
e chama.





  Cléia Fialho

sábado, 20 de agosto de 2016

FOGO E VENTO


Sopro que invade e não se detém,
venho a ti em rajadas de desejo,
quebrando a calma, acendendo a pele,
em chamas que dançam no tempo alheio.

Sou trovão que abraça e fere,
eco de força e de entrega sutil,
te levo além do chão, além do medo,
no voo breve do prazer febril.

Teu corpo, campo de espigas douradas,
resiste, se curva, se rende, se eleva,
na dança onde o vento é fogo,
e o fogo é vento que tudo leva.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O DESEJO É CHAMA VIVA



Nos sussurros da noite,
me entrego ao toque da pele,
onde o desejo é chama viva
que nunca se apaga.

Teu corpo é mar onde navego,
ondas que me levam e me trazem,
e no silêncio entre os gemidos,
sou feita de ti,
inteira, indomável,
livre.

E no calor dos nossos corpos,
os segredos se revelam,
promessas sussurradas,
que o tempo não apaga.

Entrelaçados na paixão,
perdidos em nós mesmos,
o amor é chama que arde,
eterna e intensa,
um fogo que nunca se rende,
um caminho sem fim.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

ATMOSFERA MÍSTICA



Versos livres se propagam em meu peito
como atmosfera dramática e mística.
Sou templo,
sou oferenda,
sou cálice que te espera cheio.
A cada toque,
um rito me consume.
Teu hálito queima minhas preces
e faz do meu corpo
uma catedral ardente.
Goza-me,
como quem reza o fim do mundo.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 17 de agosto de 2016