TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 6 de outubro de 2015

TEU CORPO É CHAMA



O brilho do teu olhar me traz abrigo,
Teu corpo é chama que me faz sonhar,
No compasso do peito ao te abraçar,
Eu sinto a paz que encontro em ti comigo.

Teus lábios doces me trazem a luz,
Que faz a alma inteira despertar,
No movimento lento do luar,
Teu toque abranda o fogo que seduz.

Na seda dos teus braços me perdi,
Deixando o tempo enfim se dissipar,
Pois só no teu abraço me senti.

O mundo todo para ao te encontrar,
E neste instante tudo o que eu vivi,
Se faz silêncio apenas para te amar.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

FAZ O CORPO TODO VIBRAR



O desejo nasce em nota alongada,
Um grito de prazer e de surpresa,
A luz revela a forma desenhada,
Trazendo aos olhos toda sua beleza.

Agradeço o carinho e o cuidado,
Nesse momento raro de esplendor,
O delírio enfim se vê recompensado,
Pelo brilho contido nesse amor.

É tão lindo, não tem como negar,
A alma se aquece com esse presente,
Que faz o corpo todo então vibrar.

A vida segue em paz e finalmente,
Tudo se alinha para celebrar,
O coração que toca tão contente.




  Cléia Fialho

domingo, 4 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA SE APROXIMASSE DA TUA — [ VERSÃO — IV ]



Se em segredo, minha mão encontrasse a tua,  
teu corpo inteiro perceberia antes da mente.  
Haveria um calor lento se espalhando pela pele,  
um desejo manso, quase urgente,  
fazendo a respiração mudar de ritmo.  

Meu toque chegaria como convite,  
deslizando devagar, com intimidade,  
como quem conhece o caminho  
até os lugares onde o corpo guarda silêncio.  
E teu peito aprenderia a linguagem do meu gesto,  
cedendo à maciez desse instante.  

Se minha boca se aproximasse da tua,  
o ar ficaria mais quente, mais denso, mais vivo.  
Um beijo roubado acenderia o que estava adormecido,  
e tudo ao redor perderia importância.  
Restariam apenas a tensão, a entrega  
e esse desejo bonito que cresce sem pressa,  
tomando espaço entre nós.  

No contato, nasceriam tremores discretos,  
na espera, uma fome delicada,  
e no encontro dos corpos,  
a promessa de um êxtase contido  
que se prolonga justamente 
por não se revelar por inteiro.




  Cléia Fialho

sábado, 3 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA ENCONTRASSE A TUA — [ VERSÃO — III ]



Algo em mim se abriria como manhã antiga 
se em segredo, minha mão encostasse na tua. 
Haveria ternura no gesto,  
e um silêncio inteiro aprenderia a falar.  

Teu pensamento descansaria no meu toque,  
como quem encontra abrigo sem procurar.  
Dentro das palavras, nasceria um jardim,  
e no peito, um abraço feito de permanência.  

Se num instante leve, 
minha boca encontrasse a tua,  
o ar mudaria de forma.  
Tudo ao redor se tornaria delicado e suspenso,  
como se a noite acendesse asas invisíveis.  

Nos olhos, um calor novo despertaria,  
lento, profundo, incontido.  
E entre nós cresceria uma presença intensa,  
dessas que transformam o instante  
em memória viva.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

SE MEUS LÁBIOS FURTASSEM UM BEIJO TEU — [ VERSÃO — II ]



Se silêncio e sem aviso, 
meus dedos roçassem os teus...  
Versos incendiariam o peito.  
Perceberias o ninho onde acalento teu devaneio.  
Brotariam construções feitas de vazios sonoros.  
Desabrochariam pétalas no âmago das letras.  
E no torso, um enlace que prende!  

Se leve e de repente, 
meus lábios furtassem um beijo teu...  
Soltar-se-iam asas pelo vento.  
Sentirias a brasa que esquenta meu íntimo.  
Floresceriam impulsos ardentes 
em miradas demoradas.  
E nos corpos, 
a fusão de um capricho que se entrega!




  Cléia Fialho

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

SE MEUS LÁBIOS ALCANÇASSEM OS TEUS — [ VERSÃO — I ]



Se em segredo, meus dedos encontrassem os teus,
um clarão despertaria dentro de nós.
Perceberias o carinho
que acolhe teus sonhos
com infinita ternura.

Versos brotariam
na quietude dos instantes.
Jardins floresceriam
entre cada expressão,
e o peito conheceria
o aconchego da entrega.

Se, de repente,
meus lábios alcançassem os teus,
o horizonte se encheria de asas.
Descobririas o calor
que ilumina meu íntimo
sem pedir licença.

As emoções transbordariam
em demoradas contemplações.
Cada aproximação revelaria
uma vontade antiga,
e nossos corações
se perderiam
na doçura de um querer sem fim.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ECO DAS PALAVRAS QUE NÃO VOLTARAM



O sol se esconde na curva da tarde
e deixa um rastro de luz fria sobre a mesa
onde guardo apenas o silêncio que você deixou.

Olho para a cadeira vazia no canto da sala
buscando o eco das palavras que não voltaram
sentindo o peso da ausência que molda o espaço.

A memória insiste em redesenhar seu rosto
nos traços das sombras que a noite desenha
transformando a falta em uma companhia mansa.

Não busco alívio para esta estranha marca
apenas aceito que o tempo é um rio lento
que carrega a saudade como quem leva um barco.




  Cléia Fialho