TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

COBERTURA À MEIA LUZ



Ela recuou um passo, mas as costas já tocavam o vidro. Frio. A janela sem cortina emoldurava a noite — luzes da cidade recortadas contra seus ombros, sem sombra onde se esconder.

Ele avançou. As palmas abertas encontraram os ombros dela e a prenderam contra a superfície lisa. Os braços bloquearam qualquer saída. O rosto dele estava perto demais — o hálito quente roçando sua testa, o olhar pesado descendo devagar pelo corpo.

Ela prendeu a respiração. As unhas cravaram na cintura dele por cima da camisa, mas não empurraram de verdade. Os lábios se comprimiram.

O polegar dele subiu até seu queixo, deslizou até o lábio inferior, pressionou.

— Vai me olhar.

Os dedos dele fecharam na barra da blusa e puxaram para cima. O tecido subiu pelo tronco, roçou os mamilos já duros, passou pela cabeça e sumiu no chão. A luz da cidade entrou pelas janelas sem cortina e banhou os seios nus — cada curva exposta, sem sombra onde se esconder.

Ela levou as mãos ao peito, os braços cruzando sobre os mamilos. O gesto durou dois segundos. Ele agarrou seus pulsos e os ergueu acima da cabeça, prendendo-os contra o vidro com uma mão só. A palma áspera imobilizava os dois pulsos como uma algema quente.

— Assim não.

A boca dele desceu ao pescoço. Língua e dentes percorreram a lateral tensa, a veia que pulsava, o ponto onde o ombro encontra a garganta. Mordeu aberto, a pressão arrancando um gemido curto. Ela sentiu a marca se formar sob a pele.

Os lábios escorregaram pela clavícula até o topo do seio esquerdo. Ele mordeu a curva superior, a carne macia cedendo entre os dentes, e então a língua achatou sobre o mamilo — quente, lenta, molhada.

Ela entrelaçou os dedos no cabelo escuro e puxou com força. Os quadris arquearam, encontrando a coxa dele entre suas pernas. A pressão arrancou outro som, mais fundo.

A mão livre dele desceu. O polegar encontrou o botão da calça e abriu.

Ele a girou antes que ela pudesse protestar. As palmas das mãos bateram no vidro frio, os seios nus esmagados contra a superfície transparente — a cidade inteira do outro lado, milhões de luzes pontilhando a escuridão. A janela sem cortina não oferecia esconderijo nenhum. O frio do vidro queimou os mamilos duros, arrancando um arquejo.

As mãos dele agarraram seus quadris. Dedos firmes cravaram na carne, puxando-a para trás enquanto a calça descia até os joelhos num puxão seco. O tecido cedeu, o ar gelado roçou a pele quente das coxas. Ele não esperou. A mão espalmou as costas dela, empurrando o tronco contra o vidro, e a outra guiou o pau — a cabeça roçou a entrada molhada uma vez, duas, e então ele enterrou tudo de uma vez.

Ela gritou. A boceta apertou ao redor da invasão súbita, os músculos internos se contraindo em ondas. Ele gemeu grave, os dentes cerrados, e começou a bombar. Estocadas rápidas, profundas, o quadril batendo na bunda dela com um som seco e repetido. O saco pesado acertava o clitóris a cada impacto — tum-tum-tum — e o choque reverberava pela pélvis, subindo pela espinha.

— Olha pra cidade.

A voz dele veio rouca, o comando soprado na nuca. Ela apertou as pálpebras, a testa colada no vidro, o bafo embaçando a superfície. Os dentes morderam o lábio inferior, prendendo o gemido.

Ele puxou o cabelo dela. A cabeça foi erguida, o pescoço arqueado.

— Eu disse olha.

Os olhos se abriram. A cidade brilhava lá embaixo, indiferente, expondo cada centímetro do corpo dela — os seios esmagados no vidro, os mamilos roçando a superfície fria, a boca aberta soltando um gemido alto e involuntário. 

O som escapou sem permissão, a voz trêmula vibrando contra o vidro. Ela se viu refletida na janela sem cortina: cabelos escuros grudados na testa suada, olhos amendoados vidrados, os lábios comprimidos se abrindo num novo gemido a cada estocada.

A mão direita dele desceu. Os dedos encontraram o clitóris inchado e esfregaram em círculos duros, implacáveis, no ritmo exato das bombadas. O pau entrava e saía, a boceta molhada fazendo um som obsceno de sucção, líquido escorrendo pela coxa interna — suor e sebo misturados, gotejando no chão de mármore da cobertura.

As pernas tremeram. Os joelhos falharam. Ela se sustentou apenas pelo quadril dele, que a empurrava contra o vidro, e pelas palmas espalmadas na superfície fria. O corpo inteiro virou um nó de tensão prestes a estourar.

— Vai gozar — ele rosnou contra sua orelha. — Goza pra cidade ver.

A boceta apertou em espasmos violentos ao redor do pau. Ela gozou com um grito, o som rasgado e alto, os olhos arregalados para as luzes lá fora. O líquido quente escorreu pelos dedos dele, encharcando a mão que ainda esfregava o clitóris em círculos.

Ele enterrou fundo uma última vez. O pau pulsou dentro dela, jorrando esperma em jatos quentes que preencheram a boceta. Gemeu baixo, a testa caindo no ombro dela, os quadris ainda bombeando devagar enquanto se esvaziava. Quando se sacou, o esperma começou a vazar pela fenda.

Esperma escorre pela coxa interna enquanto ela ainda encara a cidade iluminada pelo vidro embaçado.

Ele recuou devagar, o pau ainda úmido roçando a coxa dela ao se afastar. O esperma quente vazou pela boceta inchada, um fio grosso escorrendo pela coxa direita até gotejar no mármore frio. Ela não se moveu. A palma continuava espalmada no vidro, a respiração ainda ofegante, os seios marcados com as impressões da superfície gelada. Olhou o próprio reflexo na janela sem cortina — o corpo nu, as coxas manchadas, os olhos amendoados fixos e sem desvio. Ele tocou seu ombro. Ela não se encolheu.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

COLCHÃO EM CHAMAS



Que o colchão seja pira de paixão
onde não ardamos devagar,
mas nos queimamos depressa,
nu, aberto, tu sobre mim,
eu aberta sob ti,
o membro dentro
fazendo a cama gemer.

Onde ardam nossos corpos em união,
não é união de mãos dadas,
é suor colando pele em pele,
é o bater desenfreado dos teus quadris
contra as minhas coxas,
é a fricção que fuma
e nos deixa sem fôlego.

Prende-me firme entre teus braços,
não com ternura,
com a mão que aperta meu pescoço,
que puxa meu cabelo,
que me prende para eu não fugir
do prazer que me fode.

Percorre meu corpo entre laços,
mas não são laços de pano,
são dedos que entram,
língua que desce,
sexo que me rasga e me preenche
até eu não saber
onde acabo
e onde começa
teu desejo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

domingo, 4 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015

CADÊNCIA DE PELE E SUOR



Nossas pernas se enrolam em um só compasso de fogo,
cabeça jogada para trás, boca escancarada, 
mordendo o ar quente.
Nossos corpos em êxtase a se unir, a travar, 
a fundir em carne viva,
numa cadência de pele e suor.

Em cada beijo arranco tua respiração,
engulo o gemido cru, 
lambo a língua com fome insaciável,
com um tesão sem igual, sem freio, sem vergonha,
mãos que apertam, dedos que cravam, que riscam,
deixando marcas no território do prazer conquistado.

No teu ser me encontro a imergir,
afundar, desaparecer, morrer de gozo,
enterrar o rosto no teu calor, no teu úmido, no teu cheiro,
sugar, lamber, cravar, foder, até o mundo
estremecer e nos deixar só,
sudados, vencidos, em um só compasso.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

DESEJO INCENDIADO



Com o balé sinuoso da minha cintura,
Despertei em ti um fogo incontrolável,
Te deixei louco, rendido, apaixonado,
Como um cordeirinho, perdido em fascínio,

Cada movimento meu é um convite à perdição,
Meus quadris deslizam, provocam, dominam,
Teu olhar arde, tua respiração se perde,
No ritmo quente da nossa dança proibida,

Sou tempestade, sou fogo, sou tentação viva,
Te envolvo, te enlaço, te faço meu,
Teu corpo implora, teu desejo grita,
Na entrega que só nós podemos entender,

Cada toque meu é um sussurro de prazer,
Cada suspiro teu, uma promessa de mais,
Somos dois corpos em chamas,
No frenesi do desejo que não se apaga,
No balé eterno do amor selvagem e ardente.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015