TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CAMINHOS



Caminhos curvilíneos
deslizam pela pele,
conquistam corpos carentes
em sussurros de fome antiga.

Corações conectados
pulsam no ritmo da noite,
constroem certezas
entre lençóis encharcados de suor.

Carícias como combustível
incendeiam a carne,
cenas calientes
onde o ar se dissolve em gemidos.

Nossos contornos se entrelaçam,
labirintos de prazer sem fim,
onde cada toque é promessa
e o êxtase, eternidade nua.





  Cléia Fialho

domingo, 30 de abril de 2017

SINTO A TUA RESPIRAÇÃO



Não há nome para o que arde na pele,
apenas o suor frio que escorre
como promessa não cumprida.
O ar fica denso, espesso,
um véu de veludo que sufoca
e convida ao desespero doce.

Sinto a tua respiração perto,
um abismo aberto entre nós dois,
onde o tempo perde o sentido.
Os dedos buscam, erram, encontram,
traçam mapas de fogo na carne,
descobrem paisagens antigas.

Cada toque é uma pergunta
sem resposta possível,
cada beijo, um silêncio gritado.
A mente se dissolve em névoa,
ficando apenas o instinto puro,
a vontade de fundir-se, de sumir.

O mundo lá fora desmorona-se,
não há sol, nem noite, só isto:
o calor que nos consome e nos cria,
a fome que não se sacia,
o desejo que nos atravessa
como raio, como maré, como vida.




  Cléia Fialho

terça-feira, 25 de abril de 2017

SABOR DE DESEJO



Tanta sede…

Sede de mergulhar na tua pele,  
Sede de me perder nas tuas curvas,  
Sede de me aquecer na brasa do teu toque,  
Sede de me consumir nas chamas do teu olhar.  

Sede de encontrar a batida do meu coração em ti,  
Sede de falar em silêncios e gemidos,  
Sede de te desenhar com cada suspiro,  
Sede de descobrir o labirinto da tua essência.  

A cravejar a boca, um gosto doce e salgado,  
Um néctar que embriaga os sentidos,  
Sede que devora as inibições,  
Sede que alimenta a chama deste amor.

Um dia, ao cair da noite,  
Ainda sonho em me tornar refém do teu encanto,  
De dançar na espiral da luxúria julgada,  
Em cada toque, em cada vestígio do desejo.  

A carne se entrelaça em lamentos e riso,  
Um sussurro que transforma a realidade,  
Sede que se revela como a maré que vem,  
Arrastando-me para um oceano de sensações.  

Sede que transforma o beijo em entrega,  
Desmistificando a leveza do ar,  
Sede que transforma o instante em eternidade,  
Onde a vida pulsa no eco dos nossos corpos.  

E se o tempo parar, que seja para nós,  
Para que a sede se torne um rito,  
Um ritual selvagem, visceral,  
Onde nos encontramos, nuvens e tempestades.  

De tanta sede, quero reclamar este espaço,  
O calor que queima, a paixão que arde,  
Quero ser o eco do teu corpo,  
E você, a melodia que embala a minha alma.  

Mergulhar de cabeça na fúria do desejo,  
Ser líquido em ti, ser fogo em nós,  
E ainda que o mundo pareça distante,  
As nossas sedes serão sempre um só.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 21 de abril de 2017

quarta-feira, 19 de abril de 2017

ENCANTO QUE NUNCA CANSA 


No céu, cada
bela estrela dança
Lua brilha
e o romance avança

Corações pulsam
é só esperança
Amor é o encanto
que nunca cansa.

Na brisa suave
dos sonhos ao luar
Teus olhos chegam
para me iluminar
E minh’alma aprende
novamente a amar
Como rio sereno
correndo para o mar.

Nos silêncios doces
da noite encantada
Floresce o desejo
na estrada enluarada
E a paixão se espalha
tão apaixonada
Como estrela viva
na madrugada.





  Cléia Fialho

terça-feira, 18 de abril de 2017

DESILUSÃO NOS CAMPOS



Nos campos verdes da vida
vi teu olhar, bem no fundo,
brilhava feito uma estrela,
mas já era de outro mundo.

Teu sorriso era promessa,
feito flor que se abre ao sol,
mas guardava atrás do riso
um espinho feito anzol.

Na lavanda, sob o céu,
tua voz era canção,
mas calava entre suspiros
a mentira do coração.

O vento, que antes dançava,
hoje conta só engano,
teu beijo virou punhal
no compasso do desdano.

As folhas que antes sorriam,
hoje choram meu sofrer,
e o sol, que era esperança,
foi embora sem me ver.

Teu abraço, que era abrigo,
hoje é gelo a me cortar,
e o campo virou lembrança
do que tive que deixar.

Que essa dor seja estação,
folha seca sem valor,
pois o amor que engana a alma
nunca soube ser amor.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 17 de abril de 2017

ESPETÁCULO DIVINO




Na vastidão 
do céu estrelado
Brilham astros 
de luz e encanto
A lua sorri, 
o universo iluminado
Um espetáculo 
divino e tanto!

E sob esse véu de estrelas acesas,
meu corpo aprende o teu calor,
há um silêncio que arde lento,
pele chamando pele em doce ardor.

A noite nos envolve em promessas,
teus gestos desenham tentação,
sou brilho, sou entrega mansa,
sou lua cheia na tua mão.

Entre suspiros e luz difusa,
o desejo dança sem pressa,
e no ritmo morno do infinito
nos tornamos pura e intensa promessa.





  Cléia Fialho

domingo, 16 de abril de 2017

ENTRE COLINAS E SILÊNCIO


Nas colinas verdes, encontrei teu olhar,
Como um perfume suave a me enebriar.
Teus olhos, como estrelas no céu a brilhar,
Guiaram meus passos a um doce lugar.

Nas manhãs calmas, vi a luz despertar,
e no horizonte, teu gesto a dançar.
Na relva macia, deitei sem pensar —
nas colinas verdes, encontrei teu olhar.

O tempo parou, e eu quis repousar
no calor sereno do teu respirar.
Algo em mim começou a vibrar,
como um perfume suave a me enebriar.

Com a noite lenta vindo a se achegar,
senti teu silêncio a me abraçar.
Teu brilho acendeu o meu caminhar,
teus olhos, como estrelas no céu a brilhar.

Entre os espaços do verbo amar,
o amor crescia sem se explicar.
Sem rumo certo, fui me entregar —
guiaram meus passos a um doce lugar.





  Cléia Fialho