quarta-feira, 14 de setembro de 2022
terça-feira, 13 de setembro de 2022
PINTURA EM CARNE QUENTE
Tuas mãos tingem meu peito de vermelho-cereja
onde os dedos passeiam como pincéis grossos
O azul da meia-noite escorre pela minha barriga
enquanto tu desenhas ondas com a ponta da língua.
Teu cabelo preto arranha minha virilha
e cheira a sal e jasmim depois da chuva
A luz amarelada do abajur recorta tuas costas
em curvas que parecem dunas em fogo.
Teu suor brilha igual mel em minha clavícula
e eu lambo o dourado que escorre do teu pescoço
Tua pele cheira a terra molhada e a mangas maduras
enquanto teus olhos verdes queimam como videira.
Vejo teus lábios se abrirem feito romã partida
e dentro deles, a cor da polpa viva
Teu corpo é óleo sobre o meu
— lento, espesso, brilhante
e eu sou a tela que nunca fica pronta.
segunda-feira, 12 de setembro de 2022
EMBRIAGA O MUNDO
domingo, 11 de setembro de 2022
sábado, 10 de setembro de 2022
OUVIDOS DO CORAÇÃO
Os sussurros falam da paixão, da dor e do amor
Expressões sutis que se desvelam com fervor
Cada respiração contida, um verso é declamado
Cada silêncio sussurrado, um mistério é desvendado.
Nesse idioma silencioso, os corações se entendem
Em um diálogo mágico, onde as palavras se rendem
É um cântico suave, um segredo compartilhado
Entre almas cúmplices, um momento consagrado.
Escute pois, com os seus ouvidos do coração
Desvende o idioma dos sussurros, conversação
Pois nela reside a poesia d'alma, a melodia do amor
Um elo invisível que nos conecta, cálido com ardor.
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
TUA BOCA ENCONTRA A MINHA
Chegas enfim, depois de tanto tempo ausente,
e o ar muda de peso quando teus passos tocam o chão.
A casa inteira parece menor,
como se o mundo se recolhesse
para abrir espaço ao que vem entre nós.
Nem a porta termina de se fechar
e já sinto o impacto da tua presença
como um choque quente, inevitável.
Há meses guardados na pele,
há saudade comprimida no peito,
há um desejo antiga, viva, urgente,
que reconhece em ti o seu querer verdadeiro.
Eu me aproximo sem medir o gesto,
atraída por essa força que não sabe ser mansa.
Tua boca encontra a minha
com a pressa de quem atravessou a distância inteira
para cair de novo no centro do desejo.
E tudo ao redor perde a nitidez,
perde o contorno,
perde a razão de existir.
Teu corpo se impõe como chama aberta,
e o meu responde com a mesma intensidade,
como se cada parte de mim
já estivesse esperando por esse instante
desde muito antes do tempo.
Há calor demais na respiração,
há vertigem demais no toque,
há uma urgência sem nome
correndo sob a pele.
Sinto a noite ficar estreita,
sinto o silêncio se desfazer em pulsações,
sinto a entrega crescendo
como maré que não pede licença.
Teu peso, tua força, tua presença
se misturam ao meu impulso
numa dança bruta, magnética, selvagem.
Tudo em mim arde quando te encontro.
Tudo em ti parece feito
para acender o que eu escondo.
E nesse reencontro sem defesa,
sem medida, sem demora,
o desejo deixa de ser promessa
e vira incêndio.
quinta-feira, 8 de setembro de 2022
NECESSIDADE INSANA
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quarta-feira, 7 de setembro de 2022
ECOS DE UMA NOITE
Arrasta os teus dentes pelo meu pescoço,
deixa a tua marca onde o sangue pulsa forte.
Quero o peso do teu peito esmagando o meu,
o calor sufocante da tua respiração presa.
Somos o avesso de qualquer pudor.
Tua mão espalma e prende meu quadril no chão,
enquanto você dita a velocidade desse caos.
Cada movimento teu é um golpe certeiro,
uma invasão que me arranca o juízo e o ar,
fazendo o quarto inteiro girar no escuro.
Retenho a tua essência como quem devora um segredo,
aperto minhas pernas para aprisionar o teu rastro.
Tatuo na minha pele os teus espasmos caóticos,
ainda sentindo a tua vibração me partir ao meio.
Corta a distância, meu delírio, desaba no meu peito,
a madrugada é vasta, mas a matéria se consome rápido.
Engole a minha saliva, rasga-me por inteiro,
porque minha carne tem pressa
— e a noite nos assiste, despida.
Não há trégua na nossa urgência.
Colidimos até que o cansaço vire delírio,
líquidos misturados, respiração falha,
consagrando o altar da nossa carne
até que o amanhecer nos encontre em ruínas.
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