Arrasta os teus dentes pelo meu pescoço,
deixa a tua marca onde o sangue pulsa forte.
Quero o peso do teu peito esmagando o meu,
o calor sufocante da tua respiração presa.
Somos o avesso de qualquer pudor.
Tua mão espalma e prende meu quadril no chão,
enquanto você dita a velocidade desse caos.
Cada movimento teu é um golpe certeiro,
uma invasão que me arranca o juízo e o ar,
fazendo o quarto inteiro girar no escuro.
Retenho a tua essência como quem devora um segredo,
aperto minhas pernas para aprisionar o teu rastro.
Tatuo na minha pele os teus espasmos caóticos,
ainda sentindo a tua vibração me partir ao meio.
Corta a distância, meu delírio, desaba no meu peito,
a madrugada é vasta, mas a matéria se consome rápido.
Engole a minha saliva, rasga-me por inteiro,
porque minha carne tem pressa
— e a noite nos assiste, despida.
Não há trégua na nossa urgência.
Colidimos até que o cansaço vire delírio,
líquidos misturados, respiração falha,
consagrando o altar da nossa carne
até que o amanhecer nos encontre em ruínas.
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