Prendo-te em mim como quem aprisiona fogo,
Como quem segura um trovão,
Cruzo as pernas para não te deixar escapar,
Tatu-te no ventre, em signos de paixão,
Sinto-te ainda latejar, a romper, a ganhar.
Ainda a pulsar, a subir, a ungir.
Vem, ardor meu, deita-te sobre a minha pele,
A escuridão ainda é vasta, a carne é rara,
Devora-me a língua, quebra-me enlaçado,
Que eu tenho sede — e a madrugada é leve.
Não peço — arranco.
Não doce — queimo,
Tuas unhas abrem mapas nas minhas costas,
Tuas mãos cavam rios nas minhas ancas,
Meu sangue te chama, te nomeia, te assoma,
Eu arqueio, eu mordo, eu clamo pelo teu desejo,
E enterras-te mais fundo onde ninguém mais toca.
A cama range, o lençol rasga-se ao meio,
Suamos como feras que a morte não alcança,
Guardo teu grito preso na garganta,
Deixo-te em mim como marca,
E ressurges em mim — outra vez — sem tardança.
E a noite explode — pura, crua, e fala.