TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 21 de maio de 2023

QUANDO FINALMENTE TE TOCO



Quando finalmente te toco,
o mundo silencia.

Meus dedos aprendem o alfabeto sagrado do teu dorso,
cada vértebra, uma oração,
cada curva, um versículo que só a minha boca decifra.

Teus lábios entreabertos não pedem,
evocam.
E minha boca responde como quem bebe de uma fonte
que não mata a sede — aprofunda.

Teu beijo tem gosto de eternidade adiada,
de fruta proibida que finalmente perdoa
quem a morde.

E eu não me seguro mais.

Mulher inteira, acesa, faminta de ti,
me derramo sobre teu peito,
te puxo pra dentro do meu calor.

Tua pele queima sob a minha,
tua mão me aperta como quem não quer me soltar nunca.
Sinto teu corpo responder ao meu chamado,
duro, quente, entregue.

Mordo teu pescoço,
sussurro teu nome entre beijos,
te provoco lenta,
te enlouqueço sem pressa.

Quero teu peso sobre o meu,
tua boca marcada na minha,
teu cheiro impregnado em mim.

Me prende,
me ama,
me devora,
que eu sou toda tua,
toda fogo,
toda arrepio,
toda tua para te amar até o amanhecer.




  Cléia Fialho

sábado, 20 de maio de 2023

BOCA QUE ME CHAMA




Beijo suave o teu desejo calado,
tua vontade já não fica muda,
acordo em ti o que estava guardado,
teu corpo se contorce e me estuda.

Teus gemidos se soltam lúbricos,
tuas mãos apertam teus seios,
meus toques acordam teus delírios,
teus volteios me deixam cheia.

Paro um pouco pra te ver tremer,
subo e beijo tua boca ressecada,
sentes teu gosto na minha boca,
teu amplexo mora na minha risada.

Volto pro ponto de largada,
te escuto extasiada me chamar,
teus olhos já deixam rastro de gozo,
sei que estás perto de explodir.

Te preencho bem lá no fundo da alma,
te amo baixinho ao pé do ouvido,
vou te amando sem cessar,
até te ver tombar de prazer comigo.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 19 de maio de 2023

quinta-feira, 18 de maio de 2023

EU COLETO COM A LÍNGUA



O sol se despede, a noite se derrama
Um céu de estrelas, a lua aclama
Em sonhos e repouso, o mundo se aquieta
No decorrer dos dias, a vida se reinterpreta.

O sol morre no horizonte, a escuridão derrama-se em nós,
O céu de estrelas é testemunha muda, a lua espia pelo vitral,
Enquanto o mundo adormece em sonhos castos e repouso fingido,
Nós reescrevemos a vida em cada noite que a carne reinterpreta.

O teu suor é constelação no meu peito,
Cada gota um ponto luminoso que eu coleto com a língua,
A escuridão não esconde — revela,
E sob aquele olhar prateado da lua,
Tu penetra-me mais fundo,
Como se o universo inteiro dependesse deste embate.

O mundo lá fora aquieta-se em silêncio,
Mas aqui dentro é terremoto,
É coluna a estalar, é lençol a rasgar,
É o teu nome a ressoar nas paredes
Enquanto eu te monto com a fúria de quem sabe
Que o amanhecer trará outro corpo,
Outro desejo,
Outra tomada.

E quando o sol renascer,
Não seremos os mesmos,
Seremos cinzas e fogo,
Seremos o poema que a noite escreveu
Com o suor dos nossos ventres entrelaçados,
A vida reinventada no cheiro da tua pele marcada,
Pronta para arder outra vez,
Assim que a luz se extinguir.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 17 de maio de 2023

DOMINIO DO MEU DESEJO




Sente minhas palmadas que aquecem tuas carnes,
o vermelho rubro que embeleza tua pele nua,
o formigamento que te provoca desejos incontidos,
minha voz de mulher lasciva a cada toque tua.

Ouve o silvo do chicote que serpenteia no ar,
que lambe tuas costas criando desenhos teus,
minha voz te atira ao chão com ordem suprema,
e depois te envolve e acaricia como se fosses só meu.

Liberta tuas fantasias entre minhas cordas,
grita as palavras profanas 
mesmo com a mordaça entre os lábios,
sente o êxtase quando minhas mãos percorrem teu corpo,
minha língua se demora onde teu corpo mais adora.

Sou eu que mando no teu prazer, no teu respiro,
és meu quando te rendes por inteiro ao meu jogo,
consentido, querido, entre nós dois combinado,
te prendo, te solto, te acendo em fogo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 16 de maio de 2023

SOMOS DUAS METADES



A noite desce lenta, um veludo escuro, 
cobrindo o mundo com seu manto de silêncio. 
Mas aqui, sob o lençol que se amontoa, 
acende-se o fogo que não se apaga.

Teus olhos são poços de mel derretido, 
onde me perco, onde me afundo, 
e a gravidade perde o sentido, 
suspensos num instante profundo.

Minha mão desliza pela curva do teu quadril, 
encontrando o mapa de cada cicatriz, 
cada sinal que o tempo não apagou, 
cada desejo que eu preciso realizar.

Sinto o cheiro da tua pele, sal e chuva, 
uma mistura antiga que me enlouquece, 
o ar fica denso, quente, pesado, 
e a respiração se torna a única prece.

Teu lábio busca o meu como quem tem sede, 
não há pressa, só a certeza do agora, 
o toque é suave, mas a chama arde, 
consumindo a lógica, a razão, a hora.

Os dedos entrelaçam-se, apertam, 
marcam a carne, gravam a alma, 
somos duas metades que se reconhecem 
na escuridão que a paixão nos chama.

O mundo lá fora pode esperar, 
as estrelas podem cair em desuso, 
neste quarto, o universo cabe inteiro no espaço 
minúsculo de um suspiro teu.

Sinto o calor subir pela espinha, 
uma onda que me leva ao abismo, 
onde só existes tu e eu, 
unidos num laço sem fim.

Não há palavras que possam traduzir 
essa língua antiga de corpos falando,
 apenas o gesto, o arrepio, a entrega, 
o amor que nos consome e nos salvando.

Deixa-me ler cada detalhe do teu rosto, 
como quem lê um livro proibido e sagrado, 
cada suspiro é uma página virada, 
cada toque, um verso apaixonado.

Que a noite não acabe, que o tempo congele, 
que este instante de pura doçura dure,
 enquanto a lua vigia nossa sombra, 
e o amor, finalmente, nos consuma.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 15 de maio de 2023

ENTRE LENÇÕES





Teus dedos desenham mapas
na pele que arde em silêncio.
Cada curva é um convite,
cada suspiro, uma promessa.

Lábios que se buscam
como marés que se encontram.
O calor sobe lento,
invadindo espaços secretos
onde o tempo se dissolve.

Teu corpo é poesia viva:
suave, quente, exigente.
E eu leio cada verso
com a boca, com as mãos,
com a alma inteira.

Quando a noite se curva
sobre nós,
não há palavras que bastem…
só o gemido doce
do prazer compartilhado.




  Cléia Fialho

domingo, 14 de maio de 2023

EU TE DEVORO




Quando tenho tua cabeça em minhas mãos,
frágil, trêmula, vencida de prazer,
teus olhos vidrados de langor,
teu corpo inteiro a se render.

Esqueço minha boca na tua boca,
em longos momentos de ternura louca,
fundo meu desejo no teu desejo,
no mesmo calor que nos provoca.

Tenho a impressão que beijo é mais que beijo,
que aos poucos, nesses momentos loucos,
eu te alimento de amor,
e tu me alimentas com teus toques.

Te seguro firme, te deixo mole,
te beijo forte, te deixo ardente,
sou mulher que te prende e te solta,
sou tua fome, tua sede, tua enchente.

Te quero trêmulo entre minhas pernas,
te quero vencido na minha boca,
te quero vidrado me olhando gozar,
minha ternura mais louca.

E quando teu langor me chama,
eu desço, eu subo, eu te devoro,
te alimento de amor sem pressa,
e no teu gosto eu me demoro.




  Cléia Fialho