TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 23 de maio de 2023

COM TEU CHEIRO NA MINHA PELE




Depois,
suados, confundidos, santos,
ficamos deitados como dois astros
que colidiram e agora compartilham a mesma órbita.

Tua mão na minha,
meu hálito no teu colo,
teu coração batendo contra o meu peito
como se quisesse voltar para dentro de mim,
como se dissesse:
fica.

E eu fico.
Na tua pele, na tua alma, no teu abismo.

Porque descobri que o paraíso não fica acima,
nem além.
O paraíso é o lugar exato
onde tua carne toca a minha
e ambas se lembram
que foram feitas do mesmo sopro.

Fico te olhando assim, inteira tua,
com a marca da tua boca ainda quente na minha,
com teu cheiro na minha pele,
com teu calor me cobrindo inteira.

Tua mão passeia preguiçosa em mim,
sem pressa de quem sabe que já me tem,
e eu me arrepio de novo,
mulher acesa, sempre acesa por ti.

Me puxa mais pra perto,
me prende nesse teu abraço suado,
deixa meu corpo adormecer no teu,
enquanto minha alma continua acordada
te amando,
te desejando de novo,
ainda.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 22 de maio de 2023

ONDE SÓ TU SABES ME LEVAR




Não há mais teu corpo e meu corpo.
Há um rio único correndo em dois leitos.

Tuas coxas são o horizonte onde meu sol se põe e nasce,
teu ventre, maré que sobe lenta,
me chamando para o naufrágio mais doce.

Geme.
Não esconde de mim.
Teu gemido não é som, é arquitetura
que me ergue inteira.

Quando te arqueias sobre mim,
o infinito cabe num instante.
Quando me puxas para dentro de você,
eu entendo, enfim,
o que as místicas queriam dizer com dissolução.

E eu me vou.

Me derramo em ti,
mulher sem freio, sem pudor, sem medo,
te recebo inteira,
pele queimando pele.

Teu calor me invade,
tua boca me marca,
tua mão me guia onde só tu sabes me levar.

Fica assim,
sobre mim, em mim, comigo,
me amando fundo,
me amando forte,
até meu corpo esquecer onde termina o teu
e meu nome virar suspiro na tua boca.




  Cléia Fialho

domingo, 21 de maio de 2023

QUANDO FINALMENTE TE TOCO



Quando finalmente te toco,
o mundo silencia.

Meus dedos aprendem o alfabeto sagrado do teu dorso,
cada vértebra, uma oração,
cada curva, um versículo que só a minha boca decifra.

Teus lábios entreabertos não pedem,
evocam.
E minha boca responde como quem bebe de uma fonte
que não mata a sede — aprofunda.

Teu beijo tem gosto de eternidade adiada,
de fruta proibida que finalmente perdoa
quem a morde.

E eu não me seguro mais.

Mulher inteira, acesa, faminta de ti,
me derramo sobre teu peito,
te puxo pra dentro do meu calor.

Tua pele queima sob a minha,
tua mão me aperta como quem não quer me soltar nunca.
Sinto teu corpo responder ao meu chamado,
duro, quente, entregue.

Mordo teu pescoço,
sussurro teu nome entre beijos,
te provoco lenta,
te enlouqueço sem pressa.

Quero teu peso sobre o meu,
tua boca marcada na minha,
teu cheiro impregnado em mim.

Me prende,
me ama,
me devora,
que eu sou toda tua,
toda fogo,
toda arrepio,
toda tua para te amar até o amanhecer.




  Cléia Fialho

sábado, 20 de maio de 2023

BOCA QUE ME CHAMA




Beijo suave o teu desejo calado,
tua vontade já não fica muda,
acordo em ti o que estava guardado,
teu corpo se contorce e me estuda.

Teus gemidos se soltam lúbricos,
tuas mãos apertam teus seios,
meus toques acordam teus delírios,
teus volteios me deixam cheia.

Paro um pouco pra te ver tremer,
subo e beijo tua boca ressecada,
sentes teu gosto na minha boca,
teu amplexo mora na minha risada.

Volto pro ponto de largada,
te escuto extasiada me chamar,
teus olhos já deixam rastro de gozo,
sei que estás perto de explodir.

Te preencho bem lá no fundo da alma,
te amo baixinho ao pé do ouvido,
vou te amando sem cessar,
até te ver tombar de prazer comigo.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 19 de maio de 2023

quinta-feira, 18 de maio de 2023

EU COLETO COM A LÍNGUA



O sol se despede, a noite se derrama
Um céu de estrelas, a lua aclama
Em sonhos e repouso, o mundo se aquieta
No decorrer dos dias, a vida se reinterpreta.

O sol morre no horizonte, a escuridão derrama-se em nós,
O céu de estrelas é testemunha muda, a lua espia pelo vitral,
Enquanto o mundo adormece em sonhos castos e repouso fingido,
Nós reescrevemos a vida em cada noite que a carne reinterpreta.

O teu suor é constelação no meu peito,
Cada gota um ponto luminoso que eu coleto com a língua,
A escuridão não esconde — revela,
E sob aquele olhar prateado da lua,
Tu penetra-me mais fundo,
Como se o universo inteiro dependesse deste embate.

O mundo lá fora aquieta-se em silêncio,
Mas aqui dentro é terremoto,
É coluna a estalar, é lençol a rasgar,
É o teu nome a ressoar nas paredes
Enquanto eu te monto com a fúria de quem sabe
Que o amanhecer trará outro corpo,
Outro desejo,
Outra tomada.

E quando o sol renascer,
Não seremos os mesmos,
Seremos cinzas e fogo,
Seremos o poema que a noite escreveu
Com o suor dos nossos ventres entrelaçados,
A vida reinventada no cheiro da tua pele marcada,
Pronta para arder outra vez,
Assim que a luz se extinguir.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 17 de maio de 2023

DOMINIO DO MEU DESEJO




Sente minhas palmadas que aquecem tuas carnes,
o vermelho rubro que embeleza tua pele nua,
o formigamento que te provoca desejos incontidos,
minha voz de mulher lasciva a cada toque tua.

Ouve o silvo do chicote que serpenteia no ar,
que lambe tuas costas criando desenhos teus,
minha voz te atira ao chão com ordem suprema,
e depois te envolve e acaricia como se fosses só meu.

Liberta tuas fantasias entre minhas cordas,
grita as palavras profanas 
mesmo com a mordaça entre os lábios,
sente o êxtase quando minhas mãos percorrem teu corpo,
minha língua se demora onde teu corpo mais adora.

Sou eu que mando no teu prazer, no teu respiro,
és meu quando te rendes por inteiro ao meu jogo,
consentido, querido, entre nós dois combinado,
te prendo, te solto, te acendo em fogo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 16 de maio de 2023

SOMOS DUAS METADES



A noite desce lenta, um veludo escuro, 
cobrindo o mundo com seu manto de silêncio. 
Mas aqui, sob o lençol que se amontoa, 
acende-se o fogo que não se apaga.

Teus olhos são poços de mel derretido, 
onde me perco, onde me afundo, 
e a gravidade perde o sentido, 
suspensos num instante profundo.

Minha mão desliza pela curva do teu quadril, 
encontrando o mapa de cada cicatriz, 
cada sinal que o tempo não apagou, 
cada desejo que eu preciso realizar.

Sinto o cheiro da tua pele, sal e chuva, 
uma mistura antiga que me enlouquece, 
o ar fica denso, quente, pesado, 
e a respiração se torna a única prece.

Teu lábio busca o meu como quem tem sede, 
não há pressa, só a certeza do agora, 
o toque é suave, mas a chama arde, 
consumindo a lógica, a razão, a hora.

Os dedos entrelaçam-se, apertam, 
marcam a carne, gravam a alma, 
somos duas metades que se reconhecem 
na escuridão que a paixão nos chama.

O mundo lá fora pode esperar, 
as estrelas podem cair em desuso, 
neste quarto, o universo cabe inteiro no espaço 
minúsculo de um suspiro teu.

Sinto o calor subir pela espinha, 
uma onda que me leva ao abismo, 
onde só existes tu e eu, 
unidos num laço sem fim.

Não há palavras que possam traduzir 
essa língua antiga de corpos falando,
 apenas o gesto, o arrepio, a entrega, 
o amor que nos consome e nos salvando.

Deixa-me ler cada detalhe do teu rosto, 
como quem lê um livro proibido e sagrado, 
cada suspiro é uma página virada, 
cada toque, um verso apaixonado.

Que a noite não acabe, que o tempo congele, 
que este instante de pura doçura dure,
 enquanto a lua vigia nossa sombra, 
e o amor, finalmente, nos consuma.




  Cléia Fialho