TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

segunda-feira, 29 de maio de 2023

INSTANTE QUENTE




Continua, instante pleno,  
sem promessas ao vento…  
teu silêncio suave desliza  
pela minha pele nua  
e me abraça por dentro,  
lento,  
como se já me conhecesse inteira.

Como o mar se prende à areia  
eu me agarro ao teu corpo,  
na dança quente dos dias  
que passam entre as nossas coxas.  
Os ecos da minha alma se estendem  
e viram gemidos baixos,  
canção molhada de desejo.

Cada respirar teu  
é um sopro sutil  
que me faz tremer o ventre.  
Neste espaço só nosso  
o tempo fica pequeno,  
infantil,  
e celebra o simples prazer  
de sentir tua boca  
na curva do meu seio.

Na luz que se filtra entre nós  
nossos corpos se encontram  
sem pressa,  
sem medo.  
Teus dedos desenham caminhos  
na minha pele quente  
e eu me abro toda,  
como flor que espera a chuva.

Continuemos assim,  
sem pressas,  
vivendo no compasso  
do prazer verdadeiro.  
Tua paz é o meu porto…  
mas também o meu fogo.  
Neste eterno desvio ligeiro  
eu me entrego,  
molhada,  
e te guardo dentro de mim  
como quem guarda o sol  
dentro da noite.




  Cléia Fialho

domingo, 28 de maio de 2023

NOITE ADENTRO EM NÓS DOIS




Noite adentro e o quarto em brasa,
instinto solto, pele em orgia,
eu te queria louca e inteira,
me comias com os olhos, eu ardia.

Mordisquei teus beijos devagar,
teu corpo lasso se abriu pra mim,
deixei minhas marcas em sussurro,
te amei sem pressa até o fim.

Teu corpo langue no meu colo,
teus cabelos soltos entre meus dedos,
nossa pele marcada de desejo,
sem dor, só amor nos segredos.

Revisito as cenas daquela noite,
palavras ditas baixo, gemidos de paixão,
foi devassidão consentida e gostosa,
dois corpos em mesma devoção.

Deixaste saudade na minha boca,
foste meu rei e eu tua rainha,
nos amamos até o gozo nos levar,
e amanhecemos ainda sozinhos na mesma linha.




  Cléia Fialho

sábado, 27 de maio de 2023

sexta-feira, 26 de maio de 2023

quinta-feira, 25 de maio de 2023

FANTASIA PRESA




Minhas mãos deslizam e tomam teu corpo,
minha boca passeia onde tu mais arrepia,
cada palmada minha te deixa marcado,
cada marca minha te deixa mais minha.

Teu vermelho na pele é meu desenho,
teu tremor é a prova que estás meu,
meu chicote canta no ar antes do toque,
minha ordem te derruba, meu carinho é teu.

Entre minhas cordas teu corpo se entrega,
te provoco, te prendo, te deixo sem ar,
grita se quiser, a mordaça te cala,
mas teu olhar me pede pra continuar.

Tu és meu jogo, meu prazer consentido,
minha fantasia mais devassa e lasciva,
te solto, te prendo, te faço meu homem,
só pra depois ser tua mulher cativa.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 24 de maio de 2023

terça-feira, 23 de maio de 2023

COM TEU CHEIRO NA MINHA PELE




Depois,
suados, confundidos, santos,
ficamos deitados como dois astros
que colidiram e agora compartilham a mesma órbita.

Tua mão na minha,
meu hálito no teu colo,
teu coração batendo contra o meu peito
como se quisesse voltar para dentro de mim,
como se dissesse:
fica.

E eu fico.
Na tua pele, na tua alma, no teu abismo.

Porque descobri que o paraíso não fica acima,
nem além.
O paraíso é o lugar exato
onde tua carne toca a minha
e ambas se lembram
que foram feitas do mesmo sopro.

Fico te olhando assim, inteira tua,
com a marca da tua boca ainda quente na minha,
com teu cheiro na minha pele,
com teu calor me cobrindo inteira.

Tua mão passeia preguiçosa em mim,
sem pressa de quem sabe que já me tem,
e eu me arrepio de novo,
mulher acesa, sempre acesa por ti.

Me puxa mais pra perto,
me prende nesse teu abraço suado,
deixa meu corpo adormecer no teu,
enquanto minha alma continua acordada
te amando,
te desejando de novo,
ainda.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 22 de maio de 2023

ONDE SÓ TU SABES ME LEVAR




Não há mais teu corpo e meu corpo.
Há um rio único correndo em dois leitos.

Tuas coxas são o horizonte onde meu sol se põe e nasce,
teu ventre, maré que sobe lenta,
me chamando para o naufrágio mais doce.

Geme.
Não esconde de mim.
Teu gemido não é som, é arquitetura
que me ergue inteira.

Quando te arqueias sobre mim,
o infinito cabe num instante.
Quando me puxas para dentro de você,
eu entendo, enfim,
o que as místicas queriam dizer com dissolução.

E eu me vou.

Me derramo em ti,
mulher sem freio, sem pudor, sem medo,
te recebo inteira,
pele queimando pele.

Teu calor me invade,
tua boca me marca,
tua mão me guia onde só tu sabes me levar.

Fica assim,
sobre mim, em mim, comigo,
me amando fundo,
me amando forte,
até meu corpo esquecer onde termina o teu
e meu nome virar suspiro na tua boca.




  Cléia Fialho