Ponho um beijo demorado
no topo do teu joelho
e sinto a pele aquecer
sob a minha boca.
Desço a perna inteira
arrastando saliva quente
pelo caminho macio
que só eu conheço.
A língua segue o trilho
lento, faminto,
até onde o beijo se transforma
em outra coisa mais profunda.
Não há nada que disfarce
o que vejo em ti:
o mar revolto entre as coxas,
o cume onde o tempo para,
os lençóis já desalinhados
como se o vento tivesse entrado
só para nos ver.
Volto então ao teu joelho,
entreabro as tuas pernas
com as mãos trêmulas
e deixo a boca faminta
seguir o desejo nelas,
subindo, subindo,
até encontrar o oceano
que já me espera.
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