Percorro-te sem pressa,
sentindo a febre que emana da tua pele,
traçando caminhos na tua cintura esguia,
entre o ventre macio e o calor do teu peito.
Descubro os teus flancos com dedos trêmulos,
mergulhando o meu olhar no abismo dos teus olhos,
enquanto me entrego, poro a poro,
ao furor faminto da tua boca.
Minha mão perde-se na fresta aberta,
onde as águas doces e profundas se encontram,
no ritmo cego de quem tateia o escuro
e tropeça no limite exato do prazer.
Grito de frente para a tua imensidão,
nessa subida vertiginosa às hastes da loucura,
onde o fogo se mistura à neve do abandono
e o meu corpo, enfim,
descansa no teu orvalho.
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