TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 22 de maio de 2024

VERTIGEM DOCE QUE ME TOMA INTEIRA



Que seja só fogo,
só entrega,
um delírio que nem precisa de nome!

E no final,
escondida dentro de um beijo que me consome,
eu recolho tua respiração acelerada,
e fico ali,
com as mãos cheias de ti,
com a pele ainda guardando teu cheiro, teu calor!

Eu te desenho de novo,
vertigem doce que me toma inteira,
que me veste os olhos,
que me faz mulher toda tua,
toda chama, toda tua.




  Cléia Fialho

terça-feira, 21 de maio de 2024

INCÊNDIO VISCERAL



Cada golpe é trovão que rasga,  
cada gesto é lâmina acesa,  
no eco da tua voz partida  
desenho o grito da matéria em chamas.  

Derramo sobre ti o peso da fúria,  
selando teu corpo com marcas de fogo,  
e ficas — poema — na cama incendiada,  
onde o mundo se desfaz em cinzas e desejo.  

Teus olhos são relâmpagos em tormenta,  
teu peito, tambor que explode em guerra,  
e eu, ferida aberta, mergulho no abismo,  
devorando o caos que nos consome.  

A cada sopro, a cada ruína,  
o universo se curva em febre,  
e somos dois animais em delírio,  
rasgando o silêncio com dentes de sombra.  

Não há fronteira, não há descanso,  
apenas o ritmo bruto da vertigem,  
um incêndio que não se apaga,  
um poema que sangra até o fim.  




  Cléia Fialho

segunda-feira, 20 de maio de 2024

ESCRITA EM MIM




Eu fico escrita.

Fico assinada por ti,
com a tua boca, com tuas mãos,
com esse jeito teu de me tocar
como quem jura.

Fico selada,
não na pele — mais fundo,
onde só tu alcança,
onde teu nome ficou morando.

Eu fico tua,
pintura viva do que fomos,
lençol desfeito,
corpo ainda tremendo,
mulher inteira guardando em si
o manuscrito quente
que só nós dois sabemos ler.




  Cléia Fialho

domingo, 19 de maio de 2024

CONTA-ME COMO FOI — EM DETALHE



DETALHE A DETALHE

Tu deitas-te ao meu lado
— ainda ofegante, ainda quente
E eu passo os dedos pelo teu cabelo
enquanto tu recuperas o fôlego.

— "conta-me", eu peço
"conta-me como foi".

Tu ris baixo, mas começas
— "foi devagar no início"
"os meus dedos desceram devagar, como tu fazes"
"e eu fechei os olhos e pensei em ti".

— "depois?"
"depois eu acelerei"
"porque não conseguia parar"
"a imagem tua na minha cabeça não parava de crescer".

— "e quando chegaste?"
Tu sorris, com um brilho nos olhos
— "quando cheguei, eu disse o teu nome"
"não baixinho, não segurei"
"disse alto, para o quarto vazio, como se estivesses aqui".

— "o que sentiste?"
"Senti o calor subir pelas minhas pernas"
"senti a minha barriga contrair-se"
"senti os meus dedos molhados e o meu corpo a tremer"
"e senti-te — mesmo sem estares aqui".

— "e agora?"
"agora estou cansada, aberta, tua"
"e se quiseres, podes pedir para eu ir outra vez"
"porque esta história ainda não acabou".




  Cléia Fialho

sábado, 18 de maio de 2024

sexta-feira, 17 de maio de 2024

ÍNTIMO SUSPIRO




No toque suave da pele macia
Desperta-se a chama da paixão
Em um jogo de olhares e carícias
Explode a doce sensação.

Corpos que se entrelaçam
Em dança de prazer e calor
Onde o desejo se desabrocha
Em versos de puro ardor.

Sussurros que ecoam na noite
Guiando os amantes ao delírio
Em um enlace de pura entrega
Revela-se o mais íntimo suspiro.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 16 de maio de 2024

CANÇÃO DA VIDA




Nos acordes efêmeros do amanhecer
Viver é verso que o tempo faz tecer
Entre risos e lágrimas a correr
A vida é a lição, incessante aprender
No destino, a jornada ascender

Nas vias tortuosas da existência
Viver é arte de plena resistência
Inter utopias e realidade, a vivência
Uma busca constante da essência.

Passos são notas a movimentar

A canção da vida, tempo a tramar.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 15 de maio de 2024

VERSOS DE PAIXÃO



Navegamos parreiras de desejos, mares de vinhas
Prazer que se esconde onde o amor se aninha
A lua, confidente, no céu a testemunhar

Querer que transcende, no espaço a pairar
Desenhando constelações, esboço de prazer
Somos poetas do êxtase, a nos perder

Prazer, um poema em cada arrepio sentido

Versos de paixão, folhas abertas, debruçadas no infinito.




  Cléia Fialho