No fim eu ainda tremo em teu cheiro,
Amanhecendo em teus braços,
Com teu nome no meu travesseiro,
Desfeita nos teus laços.
Antes disso, o ápice tardava,
Eu te pedia mais, sem pudor,
E teu corpo em mim cavalgava,
Me levando ao teu calor.
A gente se mordia de desejo,
De um jeito doce e violento,
Tua saliva era meu beijo,
Meu corpo teu unguento.
Horas sem relógio, sem pressa,
Suada, sem me entregar por completo,
Uma luta que não cessa,
Meu corpo e o teu a se rasgarem de tanto se amarem.
Quebramos todas as regras,
Inventamos nossa prova,
Deixamos as almas cegas,
A cada vontade nova.
Eram ais, eram sussurros,
Gemidos em profusão,
Urros que viram murmúrios,
Na nossa imensidão.
Sem vergonha me beijavas,
Numa entrega infinita,
Inteira eu me devorava em ti,
De um jeito que só excita.
O quarto à meia luz aceso,
Teus brinquedos, teu perfume,
Teu aroma me deixa presa,
No teu doce lume.
No começo, só nós dois,
Fêmea e macho na arena do amor,
Uma noite toda tua,
Num clima sedutor.