Faço de ti presença intensa nos meus limites,
onde o desejo deixa de ser controle
e vira vertigem.
Te entrego aos meus excessos mais humanos,
não como culpa,
mas como travessia —
um mergulho fundo no que pulsa sem nome.
E deixo tua boca me atravessar em sensações
que desfazem o silêncio do corpo,
como se cada instante
quebrasse um pouco mais as fronteiras
do que eu sabia sentir.
Entre respirações e pausas que tremem,
me reconheço em teus gestos,
e me perco neles também,
como quem aceita o risco
de existir com intensidade demais.
Não há mártir, não há algoz —
apenas dois corpos conscientes
da própria fome de sentir,
se encontrando no ponto exato
onde o excesso
vira linguagem.
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