A cozinha cheira a café abandonado e a frutas maduras deixadas no balcão, o silêncio da casa adormecida pesa sobre nós como um cobertor espesso de culpa e desejo.
Eu estou de camisola fina, sem nada por baixo, e tu me observas do batente da porta, os olhos escuros percorrendo minhas coxas expostas, a boca seca de antecipação.
Me deitas sobre a mesa, meus seios colados ao frio da pedra.
As estrelas nos observam, mas só nós queimamos.
Me tomas contra o chão, meus seios se erguem ao céu, meus gemidos se espalham pelo ar.
As portas fechadas guardam nosso segredo.
Me tomas contra a parede, meus gemidos abafam o silêncio metálico.
Teu pau me invade, meu corpo se abre em vertigem.
A grama molhada sob minha pele, o vento acaricia meus seios, mas é tua língua que me enlouquece.
Me abro inteira, te recebo sem pudor, meus gemidos se misturam ao canto da noite.
O chão úmido sob minha pele, o cheiro da terra mistura-se ao teu suor.
Me tomas como fera, meus gemidos se tornam gritos, meu corpo explode em luxúria.
Me prendes contra o corrimão, minhas pernas se abrem em desespero.
Tua boca me suga, tua língua me devora, meu corpo se contorce em delírio.
Não há tempo, não há espaço, apenas nós, devorados pela luxúria.
Teu pau me rasga, meus gemidos me libertam, meu corpo se entrega sem medo.
Explodimos juntos, lágrimas e suor se confundem,não há começo nem fim, apenas fogo, apenas loucura,
apenas nós dois, perdidos no abismo do prazer.
A lua nos observa, mas só nós queimamos.
Me tomas contra o banco, meus gemidos se espalham pelo ar.
O templo vazio, mas nossos corpos em oração.
Me tomas contra a pedra fria, meus gemidos se tornam cânticos.
Mas ainda não é o fim.
A gordura da mesa impregna minhas costas, o azeite derramado escorre pelo balcão, e tu me levantas, me viras, me empurras contra a pia de aço inoxidável frio.
A água da torneira goteja sobre minha pele quente, vapor sobe, confundindo-se com nosso suor, e penetras-me de novo, fundo e brutal, o som de nossas pelvis batendo ecoando nas panelas vazias.
Eu agarro a torneira, os nós dos dedos brancos, o espelho da cozinha refletindo meu rosto contorcido de prazer.
Gozo de novo, líquido quente escorrendo pelas minhas coxas, misturando-se à água e ao suor na pia, e tu me seguras pelo cabelo, puxando minha cabeça para trás, rosnando meu nome como uma blasfêmia sagrada.
Despejas tua carga quente dentro de mim com um espasmo que te dobra ao meu corpo, e caímos juntos no chão de cerâmica fria, entre os restos da janta e o vinho derramado.
A lua continua nos observando pela janela aberta, mas nós não existimos mais, só há carne, sêmen, suor, gozo e a promessa silenciosa de que amanhã, à mesma hora, a cozinha proibida nos engolirá de novo, faminta, insaciável, eterna.
❦
Cléia Fialho

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾