O quarto cheira a sexo e a noite fechada, a cortinas que não deixam passar a lua, e eu já estava nua antes de tuas mãos me tocarem, a pele trêmula e alerta, anticipando o momento em que a frieza da madeira iria morder minha coluna.
Tua voz é um rosnado baixo contra meu ouvido, ordenando que eu me deite, e eu obedeço, lenta, entregue, abrindo as coxas sobre o tampo gasto e polido.
Me deitas nua, a madeira fria contrasta com meu calor.
Teu pau me invade, meus seios se erguem em desespero, minhas unhas arranham o tampo.
A mesa range, meu corpo explode, o prazer se espalha como vinho derramado.
Teus dedos me penetram, tua boca me suga, meu ventre explode em ondas.
Meus gemidos me libertam, meu corpo se entrega sem medo.
Teus sussurros me enlouquecem, meu gozo se mistura ao teu, meu corpo se arrasta em delírio.
E quando jorras em minha boca, sou tua escrava, sou tua perdição.
Mas ainda não é o fim.
A mesa range novamente quando me viras de bruços, barriga contra a madeira fria, tuas mãos grandes apertam minha cintura e me puxam para trás, para ti, para o teu desejo reavivado.
Penetras-me de uma vez só, fundo e sem piedade, e o ar foge dos meus pulmões em grito abafado contra a madeira.
O ritmo é selvagem, as cadeiras caem ao redor, os pratos da janta de ontem treme na cristaleira, e eu não me importo, eu só quero mais, mais fundo, mais violento, mais de ti.
O suor escorre da tua testa e cai sobre minhas costas arqueadas, pinga na curva das minhas nádegas, mistura-se ao meu próprio fluido quente que desce pelas minhas coxas em rios incontroláveis.
Cada estocada arranca um som novo de mim, um ruído que não reconheço, animal e rouco, que vem do fundo da barriga e explode pela garganta contra a palma da tua mão que me sufoca.
Gozo de novo, mais forte, convulsões que apertam teu sexo em espasmos brutais e famintos, e tu me seguras firme, me puxas para ti, despejas tua carga quente e espessa dentro de mim com um rosnado que sacode o teto.
Tropeçamos juntos para o chão, escorregadios de fluidos e suor, deixando marcas úmidas na madeira, e tu me tomas ali no chão frio, de novo, sem dar trégua, sem deixar que eu recupere o fôlego.
A minha boca está seca de tanto gritar, os lábios rachados, a garganta queimando, mas eu ainda te puxo para dentro, ainda arqueio, ainda imploro com os olhos molhados.
A madrugada nos encontra destruídos sobre o tapete gasto, o corpo marcado pelo tampo da mesa, as costas com contusões roxas, os quadris com digitais profundas, a boceta escorrendo prova do que fizemos.
E quando te vejo se levantar, o pau ainda semi-ereto e brilhante de nós, eu sorrio, lambo os lábios, e abro as pernas de novo, pronta para a próxima rodada, pronta para ser destruída outra vez sobre a mesa de madeira, no chão, contra a parede, em qualquer lugar, desde que seja contigo, apenas contigo, sempre contigo, eterna e insaciavelmente tua.
❦
Cléia Fialho

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾